Monthly Archives: Outubro 2013

A desordem natural das coisas

Tinha-me lançado há pouco em mais um livro de Delillo. Acontece que, ainda ia eu muito no início da leitura, me chega pelo correio o tão aguardado Para onde vão os guarda-chuvas, de Afonso Cruz. Foi-me impossível manter a ordem das coisas e terminar o livro que tinha em mãos. Delillo é um homem de setenta e seis anos e já terá pouco a aprender sobre paciência. Saberá esperar. Afonso Cruz é um jovem e está cheio de pressa. Traz livros carregados de maravilhas. Este tem uma capa linda, um título curioso, uma excelente encadernação, ilustrações fantásticas e umas centenas de páginas de uma das mais originais vozes portuguesas da actualidade. Ninguém pode aguardar assim carregado.

Com as etiquetas , ,

Um paciente labirinto de linhas

Um homem propõe-se a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naves, de ilhas, de peixes, de quartos, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem do seu rosto.

Com as etiquetas ,

Interrupção voluntária da leitura

O abandono de um livro é, para mim, coisa rara, mas lá vai acontecendo. A leitura não empolga, os dias sucedem-se com maior rapidez do que o virar das páginas e o aborrecimento vai-se agravando. Largar um livro a meio foi coisa que experimentei menos de maia dúzia de vezes. Ainda assim, recordo que já aconteceu com nomes como António Lobo Antunes e Thomas Pynchon. Também esteve para acontecer com David Foster Wallace. Hoje, coube a Saramago juntar-se a esta “elite”. Em Todos os nomes, o Sr. José arrasta-se pela Conservatória do Registo Civil e as coisas tardam a acontecer. Neste caso particular, nem a escrita de Saramago salva as coisas. Uma centena de páginas volvidas e continuamos em estéreis voltas à conservatória. Largar nem sempre é sinónimo de perder.

Com as etiquetas ,

A música portuguesa de perfeita saúde


David Santos, artisticamente conhecido como Noiserv, está a apresentar, aos poucos, Almost visible orchestra, álbum com lançamento previsto para dia sete deste mês. Restam poucos dias e vão restando cada vez menos dúvidas de que será um excelente trabalho. A identidade de Noiserv continua bem vincada e o álbum está mais maduro e mais composto que One hundred miles from thoughtless.
O tema que aqui fica conta com as participações de vários artistas, como Luísa Sobral, Francisca Cortesão e Walter Benjamin, entre outros.
Depois da surpresa e assombro com o último álbum de Samuel Úria e dos bons momentos de outros artistas nacionais, David Santos vem confirmar o momento de perfeita saúde que a música portuguesa atravessa.

Com as etiquetas ,
%d bloggers like this: