A(s)simetria

A(s)simetria
O que parece simetria para quem olha é, na realidade, pura ilusão. Não importa a que distância se encontrem os elementos, é praticamente impossível que todas as persianas se abram na mesma medida e que as janelas se decorem da mesma forma. O filho da Dona Alice, do rés-do-chão direito, molhou os dois pares de chuteiras, que enfeitam a fachada, nos treinos da semana, que foi chuvosa. A Dona Etelvina, do segundo esquerdo, não teve que se preocupar com a rega dos vasos exteriores e pôde concentrar-se na outra janela, a mágica, mais abrigada e cómoda, ainda que nem sempre benéfica. Gasta em chamadas de valor acrescentado a diferença entre o que ganha de reforma e o que precisa para alimentação.
Para lá do que está à vista de quem passa, a simetria deixa de existir por completo. Num andar estão sorrisos pendurados sobre um berço de madeira e no outro estão cabeças vazias de pensamentos, que não conseguiram acompanhar o corpo e deixar o quarto de um hospital. A simetria, como qualquer conceito de ordem ou lógica é, pois, um engano do olhar.

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