Monthly Archives: Julho 2015

António Graça

Tem graça no nome e no que faz. A do nome, esconde-a com um mais artístico Left, da mão que dá corda às cordas da guitarra. A graça do que faz é do tamanho da idade que não tem. Chegou-me aos ouvidos através do Concurso Nacional de Bandas da Antena3, que venceu recentemente, mas tem tudo para não cair no esquecimento.

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Instórias #4

A vida passou à nossa frente e quase não demos conta disso. As decisões foram quase todas nossas. A de nos juntarmos, a de ficarmos pelos dois filhos quando pensávamos ter três, a de mudarmos de casa quando julgámos necessário. Estas e as mais triviais, as que tivemos que tomar todos os dias. Só que o tempo nunca foi nosso. Nem será. O tempo é uma espécie de empréstimo a juros elevados, quanto mais temos, de mais vamos precisar. Só assim se explica que, chegados a este ponto da vida em que os nossos filhos herdaram as decisões, percebamos que soube a pouco, que nos apetecia mais. Agora o tempo passa devagar, a custo. Acordamos cedo sem razão, só porque habituamos o corpo a isso durante umas dezenas de anos, e passeamos lentamente por ruas que já conhecemos de olhos fechados, só para não ficarmos reféns de um qualquer canal de televisão todo o dia, que para isso já bastam a tarde e a noite. Os dias dão um ar da sua graça quando o telefone toca a anunciar um almoço de família ou um passeio de fim-de-semana. Aí sim, o tempo volta a fugir-nos das mãos enquanto revemos sorrisos e recordamos histórias. Valham-nos os filhos, os netos e as memórias, para continuarmos a assistir a este espectáculo maior que é a vida.

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