Flores

FloresA leitura de Para onde vão os guarda-chuvas, concluída há já algum tempo, foi uma experiência eucalíptica: espalhou raízes e secou tudo à minha volta. Estive muito tempo sem vontade de ler o que quer que fosse, a pegar e a abandonar rapidamente leituras que deviam, em qualquer outra altura, prender a minha atenção. Tardei a recuperar e, avisado por essa experiência, quando peguei neste Flores, fi-lo com naturais precauções. Ainda assim, por muitos cuidados que possamos ter, é impossível ler Afonso Cruz de forma superficial.
(Entremos mais dentro na espessura.)
Poucas páginas depois de se ter iniciado o romance torna-se difícil não estar mergulhado naquele universo tão típico do autor, de seres curiosos na forma de ser – e de pensar – e de aforismos raras vezes mal conseguidos.
(Entremos mais dentro na espessura.)
Por muito que estejamos a ler histórias de alguém a quem é atribuído um nome próprio, a quem é dada uma personalidade cativante, as personagens principais de Flores são o amor e a memória. O que resta de um sem o outro. O que pode um pelo outro. Não é um livro resplandecente como Para onde vão os guarda-chuvas, mas é, uma vez mais, um livro bem plantado no crescente canteiro de gente que olha para Afonso Cruz como uma das vozes maiores da actual literatura portuguesa.

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