Instórias #9

Para esta história vamos convocar a cena uma personagem chamada Joana.
(Chamemos-lhe Joana pelo simples facto de esta ser uma história real e esse ser precisamente o nome dela.)
Num consultório pediátrico arrumado como tantos outros, uma recepção, uns sofás, umas revistas com mais de dois anos sobre uma pequena mesa, e uma televisão, as consultas da tarde estavam atrasadas. Joana estava lá à espera e, como todos, ia fazendo contas a quem estaria para entrar à sua frente. Só que, como poucos, Joana não se fica pelas contas anónimas a fulano deve ir primeiro, sicrano deve ser depois e trata de sorrir ao menino que está mais próximo. Em seguida, enceta conversa com a mãe. E se a conversa é de circunstância, o sorriso não é. Depois, lança ao miúdo duas palavras que parecem iguais a tantas outras mas que se virá a saber brevemente terem ido directas a um coração pequenino. Mais umas palavras de circunstância para a mãe, mais um sorriso transparente para o miúdo. Isto aconteceu em breves minutos. Logo depois, a criança, que devia ter uns três anos, pouco mais, avança até ela, perfeita desconhecida até há instantes, e estende-lhe um abraço que foi como um obrigado dito com o corpo todo. Quando uma criança desta idade, representante da sinceridade, se entrega assim a alguém que nunca viu antes, é prova de que há gente maior. Gente melhor.

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2 thoughts on “Instórias #9

  1. Helena Carriço diz:

    Sem dúvida! E há gente mt boa a contar histórias e que não acredita.

    Gostar

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