A submissa e outras histórias

A submissa e outras histórias
Bastavam duas novelas para este livro valer a pena: Uma história dos diabos e A submissa. É nelas que Dostoiévski aparece em todo o seu esplendor, a explorar de forma exímia os conflitos e as inquietações morais, a fazer com que o leitor se questione e se examine. No mínimo, consegue que o leitor se impaciente e sinta as histórias como suas, sofra com elas e as queira resolver. A indiferença a este registo de Dostoiévski é tarefa árdua, se não impossível. O problema destas recolhas de textos é que depois, entre estes, aparecem obrigatoriamente uns mais inócuos, que não resistem a eclipsar-se na presença destes corpos maiores do universo do autor. Acontece com A centenária, com O crocodilo, Sonho de um homem ridículo – interessante por explorar os vícios da condição humana -, Menino numa festa de Natal e outros. Mas pior do que ser inócuo é ser enfadonho, como acontece com Notas de inverno sobre impressões de Verão, um relato um tanto pretensioso e intelectualmente forçado. Aqui, as páginas avançam a custo e temos dificuldade em reconhecer Dostoiévski. Estas notas não faziam falta a um livro que, de forma geral, se lê bastante bem.

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