Instórias #11

A espera não é uma ciência exacta. A exactidão das coisas é uma ilusão. Uma ilusão como a que vivemos, cheia de sonhos e objectivos que inicialmente pareciam os mesmos e que afinal não eram. Uma ilusão como o amor que julgávamos sentir e que, aparentemente, foi um entusiasmo de descobrimentos, de terra nova por explorar, por conhecer. Traçado o mapa das nossas personalidades e particularidades, veio a acomodação. Apesar de tudo, com isso podia eu bem. Com o que eu não me sentia capaz de aguentar era com aquele filme clássico a várias cenas: o chegares tarde e a más horas e o cheiro do álcool e de perfumes demasiado adocicados para um homem. Eu até a indiferença estava capaz de aguentar. A sombra de outras é que me afogueava e me roubava o sono. E entretanto veio a gota de água. Sentir a tua mão em mim de outra forma que não para me acarinhares, de outra forma que não para me cobrires de desejo. Aconteceu a primeira vez e eu nem soube reagir. Assim que pude pensar – e demorei a conseguir fazê-lo -, tratei de o justificar como sendo um excesso que não se repetiria. Só que repetiu, uma e outra vez. Não há ilusão que resista ao peso da mão. E ao medo. Não podia fingir-me eternamente adormecida quando chegavas a casa. E foi então que saí.
Só que a espera não é uma ciência exacta e resiste a coisas que a razão não consegue explicar. Demora o tempo que precisares, desculpa-te pelo que fizeste e promete que vai ser diferente. Até ver que é mentira poderei sempre ser feliz.

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