Diz-se na Nova Inglaterra que cada vez menos pombos nos visitam todos os anos. As nossas florestas não têm poisos para eles. Assim, ao que parece, também cada vez menos pensamentos visitam cada adolescente todos os anos, pois os arvoredos das nossas mentes jazem devastados – destruídos para alimentar as inúteis fogueiras da ambição, ou vendidos como lenha -, e já quase não há um ramo onde possam poisar. Já não constroem ninhos nem se multiplicam entre nós. Numa estação mais suave, talvez uma débil sombra paire sobre a paisagem do pensamento, nas asas de algum pensamento na sua migração primaveril ou outonal, mas, olhando para os céus, somos incapazes de detectar a própria substância do pensamento. Os nossos alados pensamentos convertem-se em aves domésticas.

Henry David Thoreau, Caminhada

Desflorestação mental

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