A máquina de Joseph Walser

A máquina de Joseph WalserVoltando aos livros negros de Gonçalo M. Tavares, chegou a hora de seguir os passos a Joseph Walser. Se Lenz Buchmann, o médico que se tornou político em Aprender a rezar na Era da Técnica, era todo acção, Walser é passividade e apatia, vive à margem dos acontecimentos, existe apenas para ele e para a sua invulgar colecção. Nem a infidelidade da mulher ou a guerra o distrairão. Há praticamente um único ponto de contacto entre este personagem e o mundo que o rodeia: a máquina que opera com atenção exacta. E esta é precisamente a outra guerra destas páginas, a guerra entre o homem e a máquina, essa que lhe dá trabalho e garante a sua subsistência e que, ao mesmo tempo, qual inimigo sempre à espreita, aguarda um descuido para atacar.
A máquina de Joseph Walser tem a mesma capacidade inquietante e desafiadora de Aprender a rezar na Era da Técnica. Conduz-nos a perguntas e tenta uma ou outra resposta.  No que o primeiro deixa a desejar, em relação ao segundo, é na forma menos conseguida de entrelaçar a filosofia, que já vimos ser essencial e traço característico da escrita de Gonçalo M. Tavares, e a narrativa, propriamente dita. Ainda assim, é um bom livro e não rouba minimamente o interesse ao que resta da tetralogia O Reino. Caso contrárionão estaria já a caminho de Jerusalém.

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