Monthly Archives: Junho 2016

Paralelas, perpendiculares e oblíquas

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Da procura

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Instórias #15

Encosto o dedo à tua fotografia e repito o passeio domingueiro pela marginal do teu corpo. Devagar, assim obriga o trânsito de sentimentos que me provocas. Contorno a faixa costeira a respirar a maresia tranquilizante do teu cabelo sem ondulação. A areia molhada que é a pele dos teus ombros devolve-me o brilho que reconheço como sendo o do teu olhar. Curvo à esquerda, o dedo a derrapar para o teu pescoço, e entro no percurso acidentado que é a fina cordilheira das tuas vértebras. Ainda mais devagar, assim obriga a topografia, uma subida a custo, o dedo a vencer a oposição da gravidade, uma descida cuidadosa, o dedo a fazer o que pode para demorar. Continuar a descida significa entrar no vale abrigado das tuas omoplatas e, na ausência dos sulcos vertebrais, embalado pela paisagem que se vai revelando, ganhar velocidade até perder o fio à meada das palavras. Perder-me. Mas perder-me nunca foi uma preocupação. Essa foi sempre e toda perder-te.

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O pai diz-me, estes homens precisam de mais bebida, vai buscar outra grade, o soldado que está de pé diz, dá corda aos sapatos, rapaz, imitando o que o pai disse há pouco, os outros soldados riem-se e o pai também, pode parecer que está tudo bem, que são homens que se divertem, mas não, se o pai tivesse tido escolha, se pudesse ter escolhido rir-se era diferente, o pai tem de se rir. Dantes era o pai que decidia quando se ria, como te chamas, Málátia, patrão, que matumbo, nem o nome sabes dizer, o Malaquias também tinha de se rir quando o pai se ria, agora é a vez de o pai ser o último a rir, e não é verdade que quem ri por último ri melhor, quase nada do que se dizia é verdade, Angola já não é nossa, foi na manhã de quatro de fevereiro que os heróis cortaram as algemas para vencer o colonialismo e criar uma Angola renovada.

Dulce Maria Cardoso, O retorno

O último a rir

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Um Homem: Klaus Klump

Um homem: Klaus KlumpFecho finalmente a tetralogia O Reino com o livro que a inicia. Não sei se foi o melhor percurso, o escolhido, mas foi certamente um percurso injusto para este Um Homem: Klaus Klump. Não que o considere um mau livro, mas porque se nota nos livros que o seguem um apuramento da técnica e da subtileza de Gonçalo M. Tavares na abordagem à temática do mal. O que começa por ser, neste primeiro volume de O Reino, uma abordagem crua e bruta, chega-nos de forma refinada nos volumes seguintes, especialmente em Jerusalém e Aprender a Rezar na Era da Técnica. Neste arranque de tetralogia já se consegue perceber, ainda que de forma menos evidente, a preocupação do autor em relação à questão da acção, à dualidade entre fazer e esperar. Um Homem: Klaus Klump, ao mergulhar na loucura, acaba por ser o menos coerente desta série de livros, mas não é por isso que deve ser deixado de parte. Do meu breve contacto com Gonçalo M. Tavares, aliás, ainda não li uma obra dispensável.

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A brutalidade é de uma delicadeza exuberante face às pessoas ricas; nada de novo.

Gonçalo M. Tavares,  Um homem: Klaus Klump

Do dinheiro

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Vida de estrada

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Ontem, hoje e amanhã

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