Os sete loucos

Arrancar para um livro carregado de expectativas é, quase sempre, desaconselhável. Quando entre essas expectativas se encontram comparações com Dostoiévski, ou a paternidade da literatura moderna argentina, o fardo fica pesado. Foi precisamente por essas razões que este Os sete loucos não me conseguiu surpreender. Há, de facto, alguma coisa de Crime e Castigo neste livro, na descrição dos estados de espírito das personagens, na gestão dos seus conflitos interiores. Só que o que Arlt procura fazer, Dostoiévski faz como quem respira, naturalmente e sem excessos. Há, também, alguma coisa de Viagem ao fim da noite, no retrato negro que é feito do homem. Só que Céline não esconde o que quer que seja na loucura, é impiedoso, e o seu livro resulta mais intenso, mais desafiador. Roberto Arlt escreve uma história interessante e que tem a curiosidade de quase prever a revolução argentina, mas que continua a ter o seu mérito maior em ter sido influência de autores que se lhe seguiram, como Borges ou Cortázar. Só por isso, e apesar do que ficou por provar, estava justificada à partida a leitura deste Os sete loucos.

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2 thoughts on “Os sete loucos

  1. Ana diz:

    Espero que a Cavalo de Ferro publique o segundo volume. Mas parece que não acontecerá, pelo menos em 2017.

    Gostar

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