Cemitério de pianos

Cemitério de pianosPonto prévio: este é um livro paciente. Não me perguntem quais as razões, mas adiei-o durante anos. Olhei-o e adiei-0. Uma e outra vez. Olhei-o e adiei-o. Até que aconteceu olhá-lo e abri-lo. E ao abri-lo, abriu-se uma história cheia de sentimentos também eles pacientes. De culpa, de amor, de determinação, de esperança e de falsa esperança, de indignação. De família. Cemitério de pianos narra, a duas vozes distantes em uma geração, todas as dificuldades de uma família, essencialmente. Nenhum podre é deixado de parte e, no entanto, o livro acaba por ser um elogio, ainda que negro, à resistência familiar, a essa estranha estrutura que parece ser feita para tudo aguentar. Até a morte. A escrita de José Luís Peixoto é bastante eficaz a colocar o leitor no centro de cada problema, na angústia de algumas das situações criadas, e consegue chegar às páginas finais em crescendo de interesse e de intensidade. Peca, talvez, por exagerar ligeiramente na quantidade de personagens sofredoras – salvam-se as crianças, quando muito -, mas merece louvor maior por aproveitar e adaptar a interessante, ainda que também trágica, história de Francisco Lázaro, maratonista portugês que morre em prova nos Jogos Olímpicos, em Estocolmo. Cemitério de pianos soube esperar. José Luís Peixoto soube convencer: voltarei à sua escrita, certamente.

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