Lavoura arcaica

De volta a Raduan Nassar, confirmo o cuidado na escolha das palavras apontado aquando da leitura de Um copo de cólera. É novamente sobre a escrita que teimam em recair as atenções, mesmo que a história não mereça ser desvalorizada. Em Lavoura arcaica, que explora a parábola do filho pródigo, André decide abandonar a família, regida a uma voz, a do pai, com regras bem definidas, bem tradicionais e cristãs. Foge às regras e procura mergulhar em tudo o que lhes é contrário. Foge às regras e a um amor que não tem como sobreviver. Tal como na já referida parábola, o pai manda outro dos seus filhos procurar André e trazê-lo de volta a casa, onde se preparará uma festa em honra do seu regresso. E é precisamente a partir do regresso de André que o livro, que é muito bem escrito desde a primeira página, ganha outra intensidade e alcança o brilhantismo. Raduan Nassar consegue prender pela mestria da sua escrita, mas é na alteração do ritmo das narrativas que mais cativa – já assim tinha acontecido com Um copo de cólera. O que é contemplação linguística até ao capítulo final, passa a ser leitura desenfreada daí até  à última frase.
A adaptação cinematográfica de Lavoura arcaica pode ser facilmente encontrada, na íntegra, no YouTube, mas é no papel, na ordem das palavras, no que é apenas sugerido, que a história mais tem a ganhar.

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