Nem todas as baleias voam

Nem todas as baleias voam é Afonso Cruz. Está dito o essencial.
A história tem como ponto de partida uma iniciativa tida em tempos pela CIA, o programa Jazz Ambassadors, que pretendia melhorar a imagem dos Estados Unidos da América na Europa e assim influenciar o decorrer da guerra fria. É o ponto de partida e o ponto final. Tudo o resto nasce do génio do escritor português. Um pianista capaz de expressar tudo em notas musicais, que sofre pelo desaparecimento repentino da mulher, um filho que vê sentimentos e que procura chegar ao pai, e um escritor que tortura mulheres numa cave para lhes extrair literatura, são apenas alguns exemplos de personagens singulares e tocantes que este livro encerra.
Nem todas as baleias voam volta a apresentar uma escrita, que já conhecemos do maravilhoso Para onde vão os guarda-chuvas, cheia de bons paradoxos: sábia e infantil, inocente; acutilante e terna; crua e fantasiosa. Afonso Cruz tem um cuidado estético de ilustrador nas metáforas que elabora e nas personagens que cria, sempre tão bonitas, mesmo que cruéis. Tem cuidado de poeta na escolha das palavras, que procuram mais do que um significado. Tem cuidado de músico na construção de frases, feitas para decorar e repetir. Não se deve adiar Afonso Cruz!

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