Monthly Archives: Abril 2017

Saber de experiência feito

A 30 de Abril de 2011, há precisamente seis anos, portanto, partilhei aqui uma publicação com o título Se chover, fico bem em casa. Hoje, passado esse período de amadurecimento de seis anos, com  o acréscimo de sabedoria que a vida se encarrega de ir ministrando, ao acordar para uma manhã com tanto de chuvosa como de ventosa… decidi fazer-me aos montes e percorrer quinze quilómetros. Por sorte, o tempo acabou por melhorar e a lama não foi em excesso, mas este episódio deixou-me com dúvidas quanto ao saber de experiência feito.

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O bibliotecário

O bibliotecário é a centelha que transforma um arquivo bibliográfico numa biblioteca. Matosinhos tem uma biblioteca.

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Menina a caminho

Depois de Um copo de cólera e de Lavoura arcaica, foi com naturalidade que peguei em Menina a caminho, livro de contos escritos maioritariamente nas décadas de sessenta e setenta, e que nesta recente edição conta com um bónus de dois contos e um ensaio. A escrita de Raduan Nassar já ali está, cheia de cuidados e ornamentos, mas a verdade é que a viagem não parece levar a lado algum – volto a colocar a hipótese de esta minha sensação poder estar ligada à minha menor afeição, com as devidas excepções, aos contos. São textos que se afiguram essencialmente descritivos, talvez uma exploração inicial da linguagem nos primeiros anos de ficção do autor. E se os contos não parecem ter um destino, mais deslocado ainda aparece o ensaio que fecha este breve livro. É um ensaio que se debruça sobre temas interessantes, mas que, de tão visados, só mereceriam destaque pela originalidade da abordagem, que não se vislumbra aqui.

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Bom dia. Boa semana.

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Alentejo

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As imagens mais concretas e poderosas, que julgava serem património meu, repetiam-se em testemunhos de pessoas diferentes. Naquele momento, dei a explicação que me pareceu mais lógica. Pensei que a causa de os próprios sobreviventes emprestarem uns aos outros as expressões mais eficazes podia ser o indescritível, criando assim uma língua do horror: a língua mais recente, aquela que se aprende de repente, aquela que não se transmite de pais para filhos, e sim de testemunha para testemunha. Nessa língua, «uma figura com a cabeça tão inchada que triplica o seu tamanho» só pode ser exprimida como «uma figura com a cabeça tão inchada que triplica o seu tamanho». Não existem expressões equivalentes. É uma língua sem sinónimos.

Marina Perezagua, Yoro

Uma língua sem sinónimos

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Bom dia. Boa semana.

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Ler devagar

Acontece de vez em quando. Umas vezes por causa do estado de espírito, por causa do livro em si ou da leitura anterior, que teima em não se deixar arquivar na memória. Ultimamente, tem acontecido por culpa exclusiva da agenda, dos afazeres. Ler devagar. Mesmo quando as primeiras páginas do livro gritam urgência, como é o caso de Yoro. Que promessa de livro!

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Isto não é pura comédia

Pure Comedy – Father John Misty

Que ninguém se iluda com o título do novo álbum de Father John Misty. Isto não é pura comédia, é uma espécie de livro de crónicas cantadas, muito actuais e irónicas, sobre a vivência e a sobrevivência.

The only thing that seems to make them feel alive is the struggle to survive

A varrer temas que vão da religião à política, à enganosa liberdade de seguir uma série de normas, à alienação tecnológica e até ao poder do entretenimento.

When the historians find us we’ll be in our homes
Plugged into our hubs
Skin and bones
A frozen smile on every face
As the stories replay
This must have been a wonderful place

Josh Tillman não se esconde e, nos treze minutos de Leaving LA, por exemplo, é várias vezes introspectivo, questiona-se e avalia-se.
Pure comedy é, isso sim, coisa séria. E pode ser ouvido, na íntegra, aqui.

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Défice de atenção

O futebol em Portugal são duas equipas a jogar para ganhar e mil olhos numa terceira equipa.

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Bom dia. Boa semana.

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A última noite e outras histórias

Todos os contos reunidos neste livro, com maiores ou menores méritos, evidenciam uma escrita muito competente. Não é por aí, portanto, que Salter deixa de convencer. Nestes contos, encontramos histórias mundanas e personagens bem exploradas, muito credíveis, muito reais – com maior evidência nas femininas, curiosamente. O conto que faz honras de título, A última noite, é dos mais inquietantes, pela temática, pelos contornos, mas perde algum fulgor por ser mais do que uma vez previsível. Pelo meio, há mais um ou outro que se destaca, mas o livro não resulta em mais do que agradável. O problema, neste caso, é mais uma questão de gosto pessoal. Conto pelos dedos das mãos os contos que me causaram espanto e, depois, há que levar em conta que, mesmo esses, tiveram sempre a companhia de um ou outro menos conseguido. A escrita de James Salter não merece sair beliscada desta experiência, mas voltemos aos romances.

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Bom dia. Boa semana.

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O que é proibido alimenta o desejo de tudo o resto.

James Salter, A última noite e outras histórias

Fruto proibido 

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Alta infidelidade 

Tenho que te confessar uma coisa. Esta semana conheci duas mulheres e temo-nos encontrado em segredo. Desculpa. Antes de me pedires nomes, deixa-me explicar. Aconteceu. Espera, deixa-me explicar. Conheci-as e fiquei com curiosidade, quis conhecer melhor. Desculpa. Desculpa. Tinha que te contar isto. Não ficava bem se não o fizesse. Temo-nos encontrado em segredo. Têm-me dito coisas bonitas e tu sabes como isso funciona. Desculpa. Temo-nos encontrado em segredo: telemóvel no bolso e auricular no ouvido. Chamam-se Aldous Harding e Molly Burch. Precisava de te contar isto. Desculpa não o ter feito mais cedo.

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