Tantas mães numa mãe 

Esta era a Lena de Carmona e do Negage. Uma Lena que era menina, era Maria e era rapaz. A Lena das bicicletas e da motas, dos joelhos esfolados e das pernas cheias de nódoas negras. A Lena que subia às árvores e, sem saber, tomava banho junto aos crocodilos. A Lena que, na sala de aula, ficava na carteira em frente à do professor e que, mesmo assim, ainda arranjava tempo para orquestrar todos os outros colegas. A Lena que ia ter motorista, cozinheira e empregados, que não precisava de aprender as lides domésticas. A Lena de hoje é outra. Já foi mãe à distância, à força de lágrimas e resistência. Aproximou-se para ser mãe presente. De dois filhos. Dispensa cozinheira, dispensa motorista. Ironia do destino, a Lena de hoje é a Professora Helena, mãe de muitos filhos que não são seus. E de filhos desses filhos. A Lena também é avó, que todos sabemos que corresponde a ser mãe duas vezes. A Lena de hoje resiste como resistiu sempre e é, por estes dias, mãe da mãe.

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