SG Gigante

A história do Sr. José mistura-se um bocadinho com a história de muita gente da minha geração. Gente que cresceu à volta de um bar de praia que quase nunca precisou de nome próprio. Emprestava-o o Sr. José. Entre a praia, a esplanada e as redes de vólei, vivia-se por ali – a minha mãe não devia ser a única a dizer que só lá me faltava dormir. Era assim no Verão, essencialmente, mas também era assim quando as outras estações do ano faziam uma graça. O Sr. José fazia tanta falta que, no Inverno, mesmo em dias pouco convidativos, alguns de nós aproveitávamos o dia de receber fornecedores para irmos matar um vício que não era de cafeína. Nesses dias, só a porta se abria. Fazíamos por caber no interior do bar, encostados à arca de gelados, a ler o jornal desportivo e a conversar sobre tudo, quando sobrava tempo entre os assuntos da bola. O Sr. José sabia receber. Sabia ouvir. Sabia aconselhar. Sabia brincar. Sabia cativar. O Sr. José desviou-nos de coisas que andavam ali ao lado. O Sr. José foi um bom amigo dos nossos pais. Ninguém pense que não pintámos a manta, que nunca nos excedemos, mas foram daqueles excessos da idade, daqueles que qualquer pai está pronto para aceitar, com maior ou menor rispidez, como experiência de crescimento. Crescemos ali. E o Sr. José puxava de um SG e fazia-nos sentir gigantes. Não vamos saber agradecer o suficiente. “Obrigados”.

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