Anatomia de um soldado

Harry Parker esteve no Afeganistão como soldado, pisou o que todos fazem por evitar e trouxe uma história dura de contar. Passar de uma vivência deste calibre, desta intensidade, para a escrita de um romance não é tarefa fácil. Parker pega na sua experiência com pinças e, num exercício de originalidade, faz dos objectos que o rodearam narradores. Talvez seja por essa razão, pela natureza exclusivamente material desses objectos, que o relato sai algo frio e nunca chega ao excesso de sentimentalismo, conseguindo, ainda assim, transportar o leitor para as incertezas do campo de batalha e para as angústias hospitalares. Temos então uma história de guerra, de aceitação e de recuperação contada por uma mochila, um capacete, um saco de soro ou uma prótese, por exemplo. Por esta particularidade, pode demorar-se um pouco a entrar no registo narrativo, mas acaba por ser uma abordagem original e que serve relativamente bem o propósito da obra. Anatomia de um soldado acaba por ser uma leitura interessante e uma boa estreia de Harry Parker no romance.

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