Monthly Archives: Setembro 2017

Os mesmos problemas, problemas tão diferentes

Final do dia de trabalho. Tiro o calçado de segurança que usei e volto a calçar as sapatilhas, as mesmas que calcei de manhã, distraidamente, e que agora sinto quase como recompensa. Tenho vontade de pedir-lhes desculpa e de lhes dizer o quanto as estimo. No dia  seguinte, acordo e calço as sapatilhas com os mesmos gestos mecânicos e a mesma abstração.
Tenho consciência de que isto já me aconteceu com as pessoas que me fazem sentir bem.
Os problemas de calçado são tão simples.

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Falar da História
é abandonar momentaneamente o nosso compulsivo silêncio e dizer (sem esquecer as datas) o que então não puderam dizer aqueles a quem foi imposto igual silêncio.
Para denunciar tudo hoje, quando nenhuma diferença faz.

Reinaldo Arenas, O engenho

Da História

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Não há nada a dizer; resta-nos derrear o corpo e fuçar.
Não há nada a dizer da liberdade: aqui, ou nos calamos ou morremos com um tiro.
Não há nada a dizer da humanidade: aqui, ou aplaudimos ou morremos com um tiro.
Não há nada a dizer dos sagrados princípios da justiça: aqui, ou prostramos o nosso corpo de escravos ou morremos naturalmente com um tiro.
Assim se resumem os nossos direitos.
(É tudo muito, muito claro: nem frases grandiosas, nem complexas teses filosóficas, nem poemas herméticos. Ao terror basta a simplicidade deste verbo épico: dizer.)
E é preciso dizer.
É preciso dizer.
Aqui, onde nada se pode dizer, é exactamente onde mais há a dizer.
É preciso dizer.
É preciso dizer tudo.

Reinaldo Arenas, O engenho

Do verbo dizer

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Bom dia. Boa semana.

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🔵⚪️

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Para onde vamos quando desaparecemos?

A literatura infantil tem conseguido surpreender-me com regularidade e este é só mais um desses casos. Um livro que traz alguma alegria à ideia de fim, a forma possível de explicá-la às crianças. Enquanto pensamos no que consiste o desaparecimento de coisas simples e banais como as meias sem par ou o sol, vamos aceitando de forma menos penosa o desaparecimento de quem realmente  nos faz falta. Como se o cuidadoso texto de Isabel Minhós Martins e as coloridas ilustrações de Madalena Matoso não fossem consolo suficiente, a editora Planeta Tangerina ainda avança com umas interessantes propostas de exploração do tema para pais e professores. Para onde vamos quando desaparecemos? é, por todos estes motivos, uma pequena maravilha sobre a perda!

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Bom dia. Boa semana.

[Depois de reparar nos comentários ao vídeo, ocorreu-me deixar este aviso: meninas, não se esqueçam do som!]

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Para que alguma coisa desapareça são precisos sempre dois.
(Um que fica e um que desaparece.)

Isabel Minhós Martins, Para onde vamos quando desaparecemos?

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Bom dia. Boa semana.

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