Monthly Archives: Novembro 2017

O caso Morel

O caso MorelHá uns anos, depois de ler O seminarista, de Rubem Fonseca, avaliei aquela leitura como nada mais do que agradável, mas não deixei de considerar um regresso à obra do autor brasileiro. Hoje, terminada a leitura de O caso Morel, consigo ter Rubem Fonseca em melhor conta. Com uma escrita muito directa, sem grandes figuras de estilo, consegue fazer deste livro, pela estrutura, pela composição das personagens e pelo ritmo imposto, mais do que um simples policial. Além do crime que se vai revelando, entre histórias quase todas muito sexuais, vai-se percebendo – e também confundindo – uma outra camada narrativa, paralela, que corresponde à escrita de um livro que relata a vida de Paul Morel, a interessante personagem central do romance. Rubem Fonseca aproveita ainda para, a espaços, satirizar alguma arte contemporânea. Em resumo, se O seminarista foi só uma leitura agradável, O caso Morel já foi uma leitura interessante. Porta aberta para Rubem Fonseca, portanto.

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Bom dia. Boa semana.

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“O meu advogado é uma besta”, diz Morel. “Você também foi advogado, não foi?”
“Fui.”
“Foi polícia, também?”
“Fui.”
“Que vida sórdida a sua. Polícia, advogado, escritor. As mãos sempre sujas.

Rubem Fonseca, O caso Morel

Trabalho sujo

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Bom dia. Boa semana.

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Numa loja de pássaros é onde se concentram mais gaiolas. Não há lugar nenhum no mundo construído com tantas restrições como uma loja de pássaros. São gaiolas por todo o lado. E algumas estão dentro dos pássaros e não por fora como as pessoas imaginam. Porque Bonifaz Vogel, muitas vezes, abrira as portas das gaiolas sem que os canários fugissem. Os pássaros ficavam encolhidos a um canto, tentando evitar olhar para aquela porta aberta, desviavam o olhar da liberdade, que é uma das portas mais assustadoras. Só se sentiam livres dentro de uma prisão. A gaiola estava dentro deles. A outra, a de metal ou madeira, era apenas uma metáfora.

Afonso Cruz, A boneca de Kokoschka

Gaiolas interiores

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Caos calmo

Caos calmo

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Microcosmos [a moral]

Encontrava com relativa facilidade a moral das histórias. Encontrá-la nas pessoas já não era tarefa tão simples. Daí que passasse mais tempo entre livros do que entre gente.

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Bom dia. Boa semana.

De repente, tens que tomar decisões. Pensas e repensas. Achas que te decidiste, mas não deixas de consultar aquelas que são as tuas ajudas de sempre. Recebes a confiança que era de esperar e pensas uma última vez. Depois, é respirar e, entre as naturais dúvidas que possam ir surgindo, avançar determinado.

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Viagem a 2009

(it was) because i was in love

São quase cinquenta e três minutos do que de melhor Sharon Van Etten já fez. É um regresso ao trabalho de estreia, com alguns retoques – até no título do álbum – e dois temas de bónus. É Sharon Van Etten no início do caminho, mais dúvidas e hesitações do que hoje, mais perguntas do que respostas, mas tudo muito autêntico e sentido. Também é voltar a 2009 e não cair fora de tempo. É tudo, por hoje. E não é pouco.

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Afonso Cruz. Outra vez.

Regresso a Afonso Cruz e confirmo que não o consigo fazer a um ritmo lento. E a questão nem tem tanto a ver com rapidez, mas sim com avidez. Custa parar. Custa aproveitar o que se acabou de ler sem estar a pensar no que vem a seguir. Afonso Cruz é uma espécie de água salgada, que sacia por um brevíssimo momento e dá sede imediatamente a seguir. É tudo para quem procura repetida satisfação. Deve ser evitado por quem não quer ter sede.

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📖 6

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Bom dia. Boa semana.

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Pau Buscató

Pau Buscató

@Pau Buscató

O atraso com que descobri Pau Buscató – obrigado, P3 – consegue ser superior ao tempo que levamos a descobrir todos os detalhes das suas fotografias. É uma satisfação tê-lo descoberto e é uma amargura só o ter feito agora. O que o fotógrafo catalão faz é uma maravilha para a vista e um desafio para a percepção. É fotografia para ver, rever e observar com atenção. Há tanto cuidado e tanta intenção em cada disparo que até espanta ser fotografia de rua.  Vale a pena espreitar a galeria de fotografias e a breve entrevista que o P3 partilha. Vale tanto a pena que dificilmente se evita uma visita ao site oficial do fotógrafo, em busca de mais enigmas visuais.

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