Category Archives: Dos dias

Partidarismo

Enquanto olharmos para a política como quem vê futebol, como adepto de um clube, estaremos a perder tempo. Só que no futebol perder tempo é só anti-jogo, na política é anti-futuro.

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Big Brother

Um bocado assustador perceber o que, sem qualquer referência, o Facebook sabe.

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E trazer isto até ao Porto?

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Uma vontade quase secreta

A evidenciar o ritmo da leitura do Coetzee a que agora me lancei, trazido da biblioteca, está um marcador que aponta para o Diário Volúvel, do muito estimado Enrique Vila-Matas. Porque, ainda na biblioteca, não consegui resistir a um Bolaño mais recente que por lá repousava, reparei que também entre as suas páginas trouxe um marcador que nada tinha a ver com a obra do escritor chileno. Desta feita, evidenciava um meu desconhecido – e agora alvo de curiosidade – Alessandro Baricco. Estas duas situações lá acabaram por plantar na minha cabeça uma muito romântica ideia, responsável por algumas dúvidas: 1) haverá, entre a comunidade de leitores da biblioteca, alguém a querer traçar o rumo das leituras dos outros? 2) que tal aceitar estas indicações e verificar se têm seguimento? 3) na muito provável eventualidade de isto ter sido apenas uma coincidência, como fugir à vontade de vestir esta secreta personagem?

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Os mesmos problemas, problemas tão diferentes

Final do dia de trabalho. Tiro o calçado de segurança que usei e volto a calçar as sapatilhas, as mesmas que calcei de manhã, distraidamente, e que agora sinto quase como recompensa. Tenho vontade de pedir-lhes desculpa e de lhes dizer o quanto as estimo. No dia  seguinte, acordo e calço as sapatilhas com os mesmos gestos mecânicos e a mesma abstração.
Tenho consciência de que isto já me aconteceu com as pessoas que me fazem sentir bem.
Os problemas de calçado são tão simples.

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Literadura

Ouvir, num documentário que passa na RTP3, um velho pescador dizer que as marés são o mar a respirar e outro a descrever a tundra ártica como um branco imaculado sob um céu que é um abismo. Vidas duras. Literaturas.

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Leituras de praia

Sem ter lido mais do que cinco páginas do tijolo a que me tinha proposto para as férias, resta-me a satisfação de já ter visto pela praia, entre as Nora Roberts e os Sparks, um Gonçalo M Tavares, dois Orwell, um Eduardo Mendoza e um Roberto Bolaño. 

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Acredite quem quiser

Já me comprometi: só levarei um livro para as férias!

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Revista de imprensa

No sábado, ao fazer a revista de imprensa, espreito mas evito megulhar, o lago está demasiado poluído. Entre várias indecências noticiosas, encontro Gentil Martins a nadar contra a sua própria inteligência, um homem incapaz de compreender o seu molde, a afundar-se pela tardinha na intolerância.

António Reis, em portográfico.

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Um absurdo cheio de graça

A primeira vez que ouvi falar de Grace VanderWaal (obrigado, Mariana), já ela tinha vencido o America’s Got Talent. Até aqui, tudo bem. O que realmente me surpreendeu foi perceber que essa vencedora era uma menina de doze anos… a cantar originais seus. Aquilo que ouvi deu-me a certeza de estar perante um daqueles raros casos de genialidade. Tudo me impressionou: as letras, as composições, a postura e o domínio de uma voz imperfeita. De ukulele, todas as actuações que lhe vi – e vi-as todas de seguida – foram dignas de espanto. Nessa altura, percebi que havia uma menina que, aos doze anos, podia fazer daqueles álbuns que eu era capaz de querer comprar. Recentemente, dei com a pequena Grace numa adorável sessão da Paste Magazine e, desde então, as palavras dela não me têm saído da cabeça. É, realmente, uma menina que não joga pelas regras do jogo, como nos canta numa viciante e já tornada viral I don’t know my name. É um talento de uma precocidade absurda. Que o futuro não a molde a ideias que não são dela, como nos parece garantir em Clay. Grace VanderWaal tem um canal de Youtube com vídeos muito adequados à sua sonoridade e já tem o seu primeiro EP, Perfectly Imperfect, à venda, mas vou deixar que procurem tudo isso depois. Por agora, recuemos um ano, à raíz do que aqui me trouxe:

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Todos os nomes

Na hora de largar um livro a meio, não dá para olhar a nomes. Comigo, já aconteceu a Thomas Pynchon, a Saramago, a Don DeLillo e até ao meu tão estimado António Lobo Antunes, por exemplo. Isso não diz mal deles ou dos seus livros. Dirá mais dos meus momentos. A Cuba de Cabrera Infante, em Mapa desenhado por um espião, não estava a alhear-me dos dias verdadeiros, como eu gosto que aconteça com a literatura. Mais tarde ou mais cedo, é possível que lá volte. Por enquanto, confio os próximos dias a Julian Barnes. O ruído do tempo se encarregará de dizer se foi uma escolha acertada.

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Meios de exploração social

Não sacudamos a água do capote: a culpa é muito – se não toda – nossa.

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SG Gigante

A história do Sr. José mistura-se um bocadinho com a história de muita gente da minha geração. Gente que cresceu à volta de um bar de praia que quase nunca precisou de nome próprio. Emprestava-o o Sr. José. Entre a praia, a esplanada e as redes de vólei, vivia-se por ali – a minha mãe não devia ser a única a dizer que só lá me faltava dormir. Era assim no Verão, essencialmente, mas também era assim quando as outras estações do ano faziam uma graça. O Sr. José fazia tanta falta que, no Inverno, mesmo em dias pouco convidativos, alguns de nós aproveitávamos o dia de receber fornecedores para irmos matar um vício que não era de cafeína. Nesses dias, só a porta se abria. Fazíamos por caber no interior do bar, encostados à arca de gelados, a ler o jornal desportivo e a conversar sobre tudo, quando sobrava tempo entre os assuntos da bola. O Sr. José sabia receber. Sabia ouvir. Sabia aconselhar. Sabia brincar. Sabia cativar. O Sr. José desviou-nos de coisas que andavam ali ao lado. O Sr. José foi um bom amigo dos nossos pais. Ninguém pense que não pintámos a manta, que nunca nos excedemos, mas foram daqueles excessos da idade, daqueles que qualquer pai está pronto para aceitar, com maior ou menor rispidez, como experiência de crescimento. Crescemos ali. E o Sr. José puxava de um SG e fazia-nos sentir gigantes. Não vamos saber agradecer o suficiente. “Obrigados”.

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Venezuela

Sou português, nascido no Porto, crescido na Aguda e a envelhecer em Matosinhos. Sou quase tudo daqui, deste rectângulo com varanda para o Atlântico, mas moram em mim mais dois países, um que nunca pisei, nas quentes terras africanas, e outro por onde gatinhei, num canto latino voltado para as Caraíbas. Do primeiro, Angola, enchi-me de memórias e paixões familiares. Histórias maravilhosas de um território tão próspero que parecia nascido do verbo dar. Do segundo, a Venezuela, trouxe na bagagem palavras que acabei por transformar e que só mais tarde percebi de onde vinham. Também daí me enchi de boas histórias familiares. Algumas que, por muito que me incluam, não consigo ter como minhas, tão cedo de lá regressei. Em todas, no entanto, mesmo nas melhores, nas mais felizes, arrastam-se palavras que não foram ditas ou escritas. Cuidado. Cautela. Atenção. Essas palavras que, no fundo, me fizeram voar para fora da asa materna. Cuidado. Cautela. Atenção. Vim ter com a abuelita e o abuelito que, deste lado, passaram a ser só balita e balito. Aportuguesei as palavras e fiz do meu fado seguinte olhar para o céu. De fralda, sentado no degrau cimeiro da casa dos meus avós, à procura do avião que traria os meus pais. Cuidado. Cautela. Atenção. Nessa altura, a Venezuela não era só um conto de misses. Nem hoje.
A atravessar uma crise política que já está marcada a sangue, o país mostra que não está maduro. O que lá se vive – e que me toca de forma algo especial – deve ser visto nas fotografias reunidas no sempre brilhante The Big Picture, do The Boston Globe. Não há melhor forma de contar as coisas. Cuidado. Cautela. Atenção. A Venezuela tem que largar estas palavras.

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Tantas mães numa mãe 

Esta era a Lena de Carmona e do Negage. Uma Lena que era menina, era Maria e era rapaz. A Lena das bicicletas e da motas, dos joelhos esfolados e das pernas cheias de nódoas negras. A Lena que subia às árvores e, sem saber, tomava banho junto aos crocodilos. A Lena que, na sala de aula, ficava na carteira em frente à do professor e que, mesmo assim, ainda arranjava tempo para orquestrar todos os outros colegas. A Lena que ia ter motorista, cozinheira e empregados, que não precisava de aprender as lides domésticas. A Lena de hoje é outra. Já foi mãe à distância, à força de lágrimas e resistência. Aproximou-se para ser mãe presente. De dois filhos. Dispensa cozinheira, dispensa motorista. Ironia do destino, a Lena de hoje é a Professora Helena, mãe de muitos filhos que não são seus. E de filhos desses filhos. A Lena também é avó, que todos sabemos que corresponde a ser mãe duas vezes. A Lena de hoje resiste como resistiu sempre e é, por estes dias, mãe da mãe.

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Flâneur

É assim bem embrulhado que um escritor dominicano chega a Matosinhos, pelas mãos do simpático Arnaldo. Tudo uma maravilha. A avivar a vontade antiga de visitar o espaço físico da Flâneur.

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Saber de experiência feito

A 30 de Abril de 2011, há precisamente seis anos, portanto, partilhei aqui uma publicação com o título Se chover, fico bem em casa. Hoje, passado esse período de amadurecimento de seis anos, com  o acréscimo de sabedoria que a vida se encarrega de ir ministrando, ao acordar para uma manhã com tanto de chuvosa como de ventosa… decidi fazer-me aos montes e percorrer quinze quilómetros. Por sorte, o tempo acabou por melhorar e a lama não foi em excesso, mas este episódio deixou-me com dúvidas quanto ao saber de experiência feito.

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O bibliotecário

O bibliotecário é a centelha que transforma um arquivo bibliográfico numa biblioteca. Matosinhos tem uma biblioteca.

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Défice de atenção

O futebol em Portugal são duas equipas a jogar para ganhar e mil olhos numa terceira equipa.

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#instazulejo

Faz hoje quatro anos, a ideia do #instazulejo. Este é o número um. Entretanto, o conceito juntou adeptos e amigos que gostam de contribuir para a colecção. Vai, tranquilamente, com a paciência que a idade lhe deu, a caminho dos seiscentos registos. Já me parece um bocadinho de Portugal.

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