Tag Archives: Futebol

Défice de atenção

O futebol em Portugal são duas equipas a jogar para ganhar e mil olhos numa terceira equipa.

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Microcosmos [o tempo]

Era um jovem e talentoso futebolista. O maior desafio que se lhe colocava era manter a cabeça no presente quando os pés já estavam no futuro.

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O avançado que lia Lobo Antunes

Num clube de futebol das divisões distritais do interior do país jogava um avançado difícil de compreender. Quando chegou à aldeia apresentou-se como Álvaro e pouco mais. Veio a saber-se depois que veio da cidade e que deixou o emprego no ramo imobiliário que, nos melhores anos de mercado, lhe permitira acumular rendimentos consideráveis para a sua idade. Chegado à aldeia sem mulher ou filhos, cedo se percebeu que Álvaro tinha uma espécie de casamento com os livros, uma vez que dificilmente era visto sem a companhia destes. Assim que a hospitalidade do interior conseguiu puxar alguma conversa ao novo habitante da aldeia, descobriram que o futebol era outro dos seus interesses e rapidamente o conduziram ao campo onde aos domingos, entre as cervejas e as conversas de uma semana inteira, se puxava pelo esférico orgulho da terra. Bastaram alguns treinos para tirar duas conclusões: que era difícil compreender Álvaro e que os golos confirmavam que era ele o avançado de que a equipa precisava. Foi então sem espanto que, ao fim de algumas semanas, ao domingo, passou a carregar às costas o número nove. O que os colegas estranharam no avançado nos primeiros tempos de treino, passaram a estranhar os adeptos. Durante largos períodos de jogo, Álvaro parecia não estar em campo e movimentava-se de forma quase aleatória. Sucediam-se as jogadas em que se olhava para a área, se procurava a referência atacante da equipa e este parecia andar nos cus de judas, não se percebe bem a fazer o quê. Quando o questionavam, a resposta não só não ajudava a esclarecer como ainda reforçava a dificuldade em entendê-lo.
– Que estavas a fazer ali ao fundo naquela jogada em que o Batista sentou o lateral e queria cruzar?
– Parecia uma buganvília.
No entanto, Álvaro aparecia a espaços e fazia toda a diferença. Na ficha do jogo, no espaço reservado para os marcadores, o seu nome era uma constante, o que impossibilitava críticas e obrigava a que se habituassem a tão estranho comportamento. E então lá se acostumaram a olhar para um camisola nove de características que nem a memória de elefante do senhor Maximiano, adepto de futebol há quase oitenta anos, conseguia lembrar. Um jogador aparentemente desorientado que só as balizas e as estatísticas confirmavam como craque.
– Preferes que cruze ao primeiro poste, Álvaro?
– Cruza mal, que eles estão preparados para que cruzes bem. Jogador ao contrário de tudo o que vinha nos manuais de futebol, a verdade é que a ordem natural das coisas era o jogo terminar com golos seus. Também natural foi a vontade das pessoas da aldeia quererem saber o que tinha levado aquele homem bem sucedido da cidade a mudar-se para aquele canto esquecido por quase todos. O declínio do mercado imobiliário era notícia que passava a toda a hora na televisão do café do senhor José, mas não chegava como explicação. Álvaro lá ia respondendo como podia, afirmando que encontrara ali, longe das pressões da sociedade moderna, entre a quietude da paisagem e o tempo para a leitura, o esplendor de Portugal.
– O que é que tu tanto lês? – perguntou o senhor Dionísio.
– Romances, sobretudo. Lobo Antunes, de preferência.
– Que tem esse Lobo Antunes de especial?
– Tenho a sensação que me percebe. Escreve coisas que sinto e para as quais nunca tive palavras que chegassem. Seguiu-se um silêncio que Álvaro entendeu como incómodo pela sub-reptícia acusação de não o entenderem. Apressou-se a desfazê-lo:
– E enche os livros de palavras lindas como buganvílias.

[Texto originalmente publicado em http://www.grama.pt e resgatado a um iminente desaparecimento.]

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Da outra bola

Uma vez que as bolas milionárias não quiseram nada com o meu boletim, voltemos à bola de futebol e façamos uma espécie de previsão.
Se o FC Porto, depois do ânimo que constituiu a reviravolta na tabela classificativa da semana passada, não conseguir chegar à Mata Real e vencer, qualquer que seja o incentivo adversário, não merece ser campeão. Ponto final.
Se os dragões vencerem a equipa da capital do móvel, então são uns mais que justos campeões. Terão, nesse caso, conquistado o título sem qualquer derrota e vencendo o adversário directo na fase crucial da prova. Se isto não fosse prova suficiente da regularidade da equipa, poder-se-ia ainda acrescentar que a equipa, para o campeonato, somou uma derrota em três épocas.
Está dito o essencial. Role a bola.

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Bolas milionárias

Para os que me perguntam se no Domingo é para festejar, tenho a dizer que preferia fazê-lo hoje.

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Jogo atípico

Esta noite, o FC Porto foi ao Estoril fazer um jogo atípico porque 1) quase perdia, coisa que não acontecia naquele estádio há trinta e cinco anos, 2) não vi o jogo e, acredite quem quiser, 3) consegui ver dois dos quatro golos em directo, um na TVI e o outro na SIC.

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Armado em olheiro III

André Carrillo
Nos pés não falta nada, a cabeça ditará o futuro.

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Armado em olheiro II

Salim Cissé
Olho para o que joga e para a idade que tem. Pede atenção.

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Armado em olheiro

Alex Sandro
Vai dar craque.

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Campanha brilhante

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O Esporte Clube Vitória vai arrancar a época sem o vermelho das suas camisolas. Ao longo da época, consoante a quantidade de sangue que forem conseguindo recolher, vão recuperando o vermelho risca a risca. O futebol também serve para isto.

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A poesia da derrota

A poesia da derrota
Excerto de crónica de Manuel Jorge Marmelo à Revista 2.
(A qualidade da imagem, péssima, é a possível.)

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Mais querer que pernas

Aconteceu esta madrugada com os Sub-20. Confesso que não segui toda a competição com a atenção devida e que alguns dos jogadores nacionais me eram mesmo desconhecidos, mas a verdade é que o jogo de ontem me deixou excelente impressão de quase todos (muitos deles, pelo menos). Mostraram atitude, espírito de sacrifício e cabeça. Mostraram futebol, também. Mika é muito seguro, Mário Rui é discreto e muito eficaz, Pelé é uma força da natureza, Nélson Oliveira (sozinho deu que fazer a três defesas de cada vez, até estourar) é mais jogador que muitas das carradas de estrangeiros que se vão buscar e Sérgio Oliveira idem. Faço ponto mas não termino, isto porque falta falar de Danilo. Havia um de cada lado e só conhecia (por força das notícias em torno da sua contratação pelo FC Porto) o canarinho. A valer apenas pelo jogo de ontem, preferia ter o português. Foi determinado e quase sempre perfeito no que fez. O quase prova que é humano e também erra, evidentemente.
Portugal jogou em alta rotação, sempre com muito querer. O Brasil foi uma equipa mais calma. Portugal perdeu porque não foi possível ter pernas para jogar da mesma forma do início ao fim. Perdeu o jogo, mas ganhou o respeito de quem os acompanhou. Ainda que as vitórias morais não interessem para nadinha, este grupo de jogadores sem tiques e manias de vedeta está de parabéns.

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Falcao não é “só” um grande jogador


Fora de campo, mostra ser inteligente e com sentido de humor.

[Via Twitter do avançado colombiano]
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Em defesa de Jorge Jesus

Não vale a pena negar, Jorge Jesus recebeu mesmo luvas. Isso aconteceu tanto na transferência de J. César como na de Roberto. No entanto, o treinador encarnado foi o enganado no meio desta história: com as luvas, era suposto terem chegado também os guarda-redes.

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Presunção e água benta…

Antevisão dos últimos jogos do Benfica, por Jorge Jesus:

Este é o jogo da época para o Sporting

É o jogo da época para o Sp. Braga

Aposto que em breve também o PSG e o Portimonense terão os seus “jogos da época”.

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Ainda o último clássico, por Jorge Coroado

«Os dois jogadores pisaram o solo ao mesmo tempo, ficando Coentrão com a biqueira por cima da de Belluschi». Palavras do ex-árbitro, no OJogo.
Não quero aqui discutir se o lance em análise é ou não é grande penalidade. Não interessa e até dou de barato que não seja. Interessa-me apenas saber quantos físicos não dariam tudo para provar o que Coroado escreve.

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Ainda o último clássico, por Javi Garcia

«Acho que o F.C. Porto não teve nenhuma oportunidade». Palavras do médio espanhol, segundo o Maisfutebol.
Eu acho que o Javi, apesar de ter marcado um golo e tudo, é capaz de não ter estado no estádio. É que o FC Porto não só teve ocasiões de golo – de baliza aberta, uma delas -, como ainda se deu ao luxo de criar as poucas do Benfica – a excepção foi uma jogada de Cardozo, lá para o final do jogo.

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Indesmentível

Diz-me um colega de trabalho benfiquista, ao início da tarde:
– Tanta coisa com a invencibilidade e este ano ainda não ganharam [FC Porto] um jogo.
Certíssimo e certeiro. Prova de que a boa disposição é possível, apesar das rivalidades.

[Em breve voltarei eu à carga. Espero.]
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Do futebol no país vizinho

Não querendo beliscar a vitória do Barcelona no tão aguardado derby espanhol, adivinho já a saída da toca de muitos anti-Mourinho. Dir-se-á que perdeu o brilho, escrever-se-á que esta é a real prova de fogo ao seu valor e vaticinar-se-á o falhanço. É deixar andar. Afinal, a espera foi demorada, só aos  dez anos de carreira Mourinho sofreu por números tão dilatados. É deixar andar. Afinal, o homem tem, em dez anos de treinador principal, o palmarés que muitos treinadores reformados sonharam ter. Depois disto a bola continuará a rolar e só resta uma certeza: o próximo revés de Mourinho pode nem demorar tanto tempo quanto este, mas as vitórias continuarão a ser a constante.

[Estenda-se este comentário a Ronaldo e aos anti-Ronaldo.]
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