Tag Archives: Instagram

Caos calmo

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Fia-te nessa…

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🔵⚪️

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Morning blues

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História sem fim

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Instórias #19

Nascida das preocupações do membro do parlamento britânico que lhe deu o nome, a linha de Plimsoll permanecia esquecida para Alfredo, que, silenciosamente, pintava as marcações do calado do navio. Samuel Plimsoll, o tal membro do parlamento britânico, preocupava-se com o possível excesso de carga dos navios e com a forma de identificar facilmente essa situação. Alfredo, por sua vez, carregava um excesso de escassez. Ordenado mínimo. Um emprego numa casa de quatro. Um quarto. Uma mesa com avisos de corte de luz e de água. Meia dose feita dose familiar. Os livros escolares a chegarem atrasados à sala de aulas, apesar da pontualidade dos miúdos. Contar o que falta para o final do mês assim que o mês começa. Samuel Plimsoll nunca terá tido as preocupações de Alfredo, que, bem vistas as coisas, tinha que fazer mais do que o navio para se manter acima da linha de água.

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Uma espera sem propósito 

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Ficheiros pouco secretos

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Uma teia especial

Uma teia especial

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Alentejo

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#instazulejo

Faz hoje quatro anos, a ideia do #instazulejo. Este é o número um. Entretanto, o conceito juntou adeptos e amigos que gostam de contribuir para a colecção. Vai, tranquilamente, com a paciência que a idade lhe deu, a caminho dos seiscentos registos. Já me parece um bocadinho de Portugal.

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Escura era a noite

Escura era a noite

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Little waves our bodies break

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Instameet

O @igersporto convida-nos para um dia diferente, a 25 de Fevereiro, em Santo Tirso. A ideia é explorar o Museu Internacional de Escultura Contemporânea (MIEC) e a sua coleção ao ar livre – “(…) um labirinto de formas, cores, volumes imponentes ou passagens discretas, figuras desconcertantes ou frestas luminosas fazendo com que as necessidades da nossa imaginação ultrapassem o alcance dos nossos braços.” 

Conhecendo aquela equipa e tendo participado em actividades por eles desenvolvidas/programadas, só posso aconselhar. A inscrição é gratuita e ainda contempla o almoço. Não é coisa que careça de ponderação, sequer!

Regulamento disponível em https://tinyurl.com/st-regulamento

Mais detalhes no perfil do @igersporto.

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Instórias #18

A dezoito de Dezembro, uma folha resistia na copa daquela aparentemente frágil árvore. E porque a resistência, quando realmente heróica, feita sem a dor dos outros, tem que ser vista, é bom exemplo, fazia-o no ramo mais alto. Por já vir a reparar nessa folha há alguns dias, tirou o telemóvel do bolso e fotografou-a. A dezanove de Dezembro, a copa da árvore estava já completamente despida. A folha caiu, mas o exemplo não é caduco.

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Manhã emersa

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Debaixo de algum céu

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Instórias #17


Deixa-me que te diga que a amizade é muito bonita, mas não chega. E, se não chega, a culpa é toda tua. Pensando bem, talvez não toda, mas grande parte garanto que é. A amizade é muito bonita e já houve alturas em que me bastava. Só que depois crescemos e os olhos passaram a deter-se em coisas em que antes mal reparavam, os ouvidos a entenderem as coisas que vêm escondidas nas palavras e nos silêncios e o nariz a começar a compreender o que é a saudade, a que cheiram as ausências. Sobre as mãos não te queria falar, porque as mãos ganharam vontades de que me envergonho. Mas é só contigo que isso acontece, portanto a culpa não pode ser minha, a culpa é tua. Talvez não toda, mas grande parte. Porque se as minhas mãos mudaram, eu mudei, mas mudei porque também tu mudaste. As minhas mãos mais vontades porque, ao crescer, o teu corpo mais apelos. E talvez o meu corpo reconheça a amizade que temos e apenas queira ser simpático, talvez só não queira dizer que não. Desculpa se te entendo mal, desculpa se o meu corpo não se entende com o teu, mas se isso acontece também a culpa é tua. Ou do teu corpo, que fala por meias palavras, que não termina os gestos. A amizade é muito bonita e já houve alturas em que me bastava. Só que depois crescemos e a amizade é coisa sem tamanho, não há amizade grande ou amizade pequena, é amizade e ponto, não cresce consoante nós crescemos. Portanto, deixa-me que te diga que a amizade já não chega.
Neste momento, mais do que deixares que te diga o quer que seja, falta-me ganhar coragem para o conseguir fazer. Por enquanto, o frio aperta e o teu corpo segue-lhe o exemplo, junta-se ao meu, e eu sem arriscar perguntar se essa aproximação significa só frio ou mais do que isso. Enquanto não ganho coragem para te dizer que a amizade já não chega, aceito que o teu corpo se aperte contra o meu e espero que o Inverno se demore.

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Instórias #16

O ballet vem desde onde vêm as minhas mais longínquas lembranças de passado. Comecei a dançar tão cedo que não me recordo de nada que lhe seja anterior. Soube mais tarde que comecei por iniciativa da minha mãe, o que tem lógica, porque nem iniciativa me lembro de ter naquela altura. Na cabeça da minha mãe devia viver aquela imagem que se repete pela cabeça de muitas outras mães: a menina franzina de tutu, o mais próximo que deve haver daquelas pequenas mas vistosas caixinhas de música, dá-se corda rrrrrc, rrrrrc, rrrrc com cuidado e é desse cuidado que ganha vontade e rodopia a pequena bailarina, muito segura, plim, plim, tilim tim, sobre um minúsculo palco pintado a flores. À primeira hesitação da bailarina, anuncia-se o fim da música e do movimento. É preciso dar novamente corda. Como a que me deu a minha mãe com a sua iniciativa. Só que eu, por muito que tenha hesitado, nunca mais parei.
jeté, plié, soutenu, voleé
Ainda não dominava o português e já sonhava em francês. O corpo a exprimir-se numa língua que a cabeça não compreendia.
arrondi, glissé, lié, tendu
E foi por esta facilidade de expressão que me era inata que a paixão cresceu e do passatempo quis fazer todo o tempo, porque era a dançar que eu mais dizia de mim e melhor me conhecia. Só que foi precisamente nesse momento que a minha mãe deixou de achar piada ao ballet. Que não é futuro, que não dá de comer, que não dá estabilidade.
– E filhos?
Como se a minha vida estivesse definida antes mesmo de eu a viver. Vou para o ballet porque ela acha piada, não vivo do ballet porque ela acha que não é vida, porque até já decidiu que devo ter filhos. Que eu tinha notas boas, que podia ser o que quisesse. Ou quase, porque bailarina parece que não podia. Só que a corda que a minha mãe me deu quando achou piada ao ballet não tem como me acabar e lá lhe consigo dizer, muito segura, como a pequena boneca da caixinha de música, que não queria outra coisa.
Passaram-se muitos anos e esgotaram-se as tentativas de explicar à minha mãe que queria ser bailarina, que ia mesmo ser bailarina, que o que começou pela imagem a que ela achava piada, à menina de cabelo apanhado e engraçadas sapatilhas que acabam sem aviso antes de chegar à ponta, é agora a minha vida. Até que um dia percebo que estou a usar as palavras erradas e arranjo bilhetes e quem a arraste para a primeira fila da sala de espectáculos em que ia dançar. Chorou e sorriu-me desde o primeiro quarto de hora. Entendeu-me. No final, tudo o que me disse foi um abraço. Porque o corpo diz melhor aquilo que à boca é difícil dizer.

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A minha preguiça não é de hoje

Preguiça Magazine

Perdi a conta às vezes em que a minha mãe, a determinada idade, me chamou preguiçoso. Não é de hoje, portanto, a minha preguiça. Só que se nessa altura o epíteto em causa era coisa para fazer ter vergonha, hoje é com orgulho que apareço no Instagram da Preguiça, magazine nascida em Leiria e que aposta na divulgação cultural de uma forma muito original e independente. Muito obrigado à Preguiça Maganize e um obrigado especial à Carla de Sousa pelo convite, pela edição e por toda a atenção!

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