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A maior flor do mundo

A maior flor do mundo A extensa obra de José Saramago também se debruçou, ainda que pontualmente, sobre os mais pequenos. A maior flor do mundo, livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 4º ano, para leitura orientada na sala de aula, é um desses casos. O livro arranca de forma original, com Saramago a contar a história que gostava de escrever se soubesse escrever livros infantis. E lá a vai desvendando, com a simplicidade e a moralidade devidas a esta literatura. O protagonista da história é um menino que encontra, no cimo de uma colina, uma flor murcha. Decide cuidar dela e, para isso, faz um longo caminho até ao rio, enche as mãos de água e regressa à flor para sobre esta depositar a gota que sobrou desse percurso. Repete a tarefa vezes suficientes para salvar a flor. Revelar mais é roubar a magia que o livro tem. Nesta edição, as ilustrações são de João Caetano.
E é já fechado o livro que Saramago levanta outra questão, que citei em entrada anterior, mas que repito:

E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?

A maior flor do mundo merece todas as leituras. As dos adultos e as das crianças.

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E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?

José Saramago, A maior flor do mundo

Plano Nacional de Leitura

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Interrupção voluntária da leitura

O abandono de um livro é, para mim, coisa rara, mas lá vai acontecendo. A leitura não empolga, os dias sucedem-se com maior rapidez do que o virar das páginas e o aborrecimento vai-se agravando. Largar um livro a meio foi coisa que experimentei menos de maia dúzia de vezes. Ainda assim, recordo que já aconteceu com nomes como António Lobo Antunes e Thomas Pynchon. Também esteve para acontecer com David Foster Wallace. Hoje, coube a Saramago juntar-se a esta “elite”. Em Todos os nomes, o Sr. José arrasta-se pela Conservatória do Registo Civil e as coisas tardam a acontecer. Neste caso particular, nem a escrita de Saramago salva as coisas. Uma centena de páginas volvidas e continuamos em estéreis voltas à conservatória. Largar nem sempre é sinónimo de perder.

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As pequenas memórias

Numa altura em que a sua obra já era mais que conhecida por esse mundo fora, Saramago entendeu justificar-se um livro que levasse a um melhor conhecimento do autor. Com este As pequenas memórias, optou por relatar episódios da sua infância e juventude – etapas que, evidentemente, influenciaram o homem que depois se fez. De um livro com registo biográfico não se devem esperar grandes façanhas e este As pequenas memórias não foge à regra. A qualidade da escrita de Saramago aparece intacta, mas é evidente que o autor não faz (nem pode, para o que se pretende) uso de todos os seus recursos. É, sobretudo, uma leitura interessante para quem admira o autor de obras incontornáveis como Memorial do convento, Ensaio sobre a cegueira, As intermitências da morte

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José Saramago

As intermitências da morte permitem a nossa breve passagem pelo mundo. Saramago pertence à pequena minoria que se eternizou pela obra.

[Dia triste para a literatura.]
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Caim

Por altura do lançamento de Caim, muito foi dito e escrito sobre a mais recente obra de inspiração bíblica de Saramago. O próprio autor terá tido consciência de que umas considerações provocatórias poderiam trazer à ribalta este seu título e, bem ou mal, foi o que aconteceu: o Nobel português apareceu em horário nobre a falar de um Deus rancoroso e comparando a Bíblia a um manual dos maus costumes; rapidamente as televisões se encheram de reacções por parte da igreja e não só. Para as vendas, interessou que Caim andou nas bocas do mundo. E se o Saramago vendedor se mostrou competente, do Saramago escritor essa era qualidade que já lhe conhecíamos e vimos confirmada.
Só a ingenuidade levará a que se faça uma leitura literal dos textos bíblicos. Daí que Caim, saído das mãos de um ateu confesso, nos apresente uma interpretação mais crítica e incisiva de algumas célebres passagens da Bíblia. Esperar outra coisa é que seria estranho. As pouco menos de duzentas páginas deste livro são, assim, uma chamada de atenção para o que de pior se pode retirar da leitura dessas passagens. Aborda-se o sacrifício pedido a Abraão, passa-se pela arca de Noé, pela destruição de Sodoma e das muralhas de Jericó, numa sucessão de histórias que, todos sabemos, começa no pecado original. A leitura de José Saramago faz por destapar um Deus autoritário, mau e até vingativo.
Deixando de parte as interpretações bíblicas, importa referir que o escritor português continua a saber agarrar o leitor e conduzi-lo por uma narrativa bem construída. O efeito surpresa das primeiras páginas vai-se desvanecendo à medida que a leitura vai avançando, o que acaba por ajudar a prever algumas das situações depois criadas. Não é, no entanto, motivo para deixar de considerar Caim uma obra interessante.

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Do futuro

Ao contrário do que costuma dizer-se, o futuro já está escrito, o que nós não sabemos é ler-lhe a página.

José Saramago, Caim
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Ponto final, parágrafo

Basta um parágrafo de Caim, o primeiro, para adivinhar que Saramago regressa com uma narrativa poderosa. O Bibliotecário de Babel fez o favor de o apresentar e, dessa forma, agravar a minha já desequilibrada equação livrosporler/tempo.

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