Tag Archives: Marina Perezagua

As imagens mais concretas e poderosas, que julgava serem património meu, repetiam-se em testemunhos de pessoas diferentes. Naquele momento, dei a explicação que me pareceu mais lógica. Pensei que a causa de os próprios sobreviventes emprestarem uns aos outros as expressões mais eficazes podia ser o indescritível, criando assim uma língua do horror: a língua mais recente, aquela que se aprende de repente, aquela que não se transmite de pais para filhos, e sim de testemunha para testemunha. Nessa língua, «uma figura com a cabeça tão inchada que triplica o seu tamanho» só pode ser exprimida como «uma figura com a cabeça tão inchada que triplica o seu tamanho». Não existem expressões equivalentes. É uma língua sem sinónimos.

Marina Perezagua, Yoro

Uma língua sem sinónimos

Com as etiquetas ,

Ler devagar

Acontece de vez em quando. Umas vezes por causa do estado de espírito, por causa do livro em si ou da leitura anterior, que teima em não se deixar arquivar na memória. Ultimamente, tem acontecido por culpa exclusiva da agenda, dos afazeres. Ler devagar. Mesmo quando as primeiras páginas do livro gritam urgência, como é o caso de Yoro. Que promessa de livro!

Com as etiquetas ,
%d bloggers like this: