Que é praticamente o mesmo que Kermit, o sapo, cantava no original It’s not easy being green. O marreta deste tema é presença constante nesta página. O sempre genial Andrew Bird.
[O original pode ser encontrado facilmente no youtube.]
Raul Meireles está para muitos adeptos do FC Porto como o aluno de nota cinco está para muitos professores. Quando se ficam pelo quatro, são chamados à atenção. Ainda que ao companheiro de carteira, aluno de nota dois, nada se diga.
Ficou carimbada esta noite a passagem de Portugal para a fase final do Mundial da África do Sul. O jogo não foi brilhante – teve dois, três momentos dignos dessa adjectivação -, mas mostrou uma equipa concentrada e unida. O adversário, as condições do terreno e o ambiente exigiam que se falhasse pouco, coisa que aconteceu. Na defesa moraram dois centrais acertados e destemidos nos consecutivos choques com a possante linha avançada da Bósnia. Paulo Ferreira recuperou de um jogo sofrido na Luz. O muro que há cerca de vinte anos desapareceu em Berlim bem podia ter sido Pepe. Depois, tendo havido acerto por parte de toda a equipa, há ainda lugar a uma referência individual: Raul Meireles. Inteligente, joga e faz jogar, equilibra a equipa e desequilibra o adversário. Completíssimo.
Voltando ao importante, o Verão vai ter outro interesse, com Portugal em mais uma fase final de um Campeonato do Mundo.
Enquanto a leitura de 2666 continua a não ter final à vista, houve tempo para uma rápida leitura dos dois primeiros livros de Fernando Pessoa oferecidos pelo jornal i, às sextas. Sobre A mensagem, ainda que reconhecendo genialidade em muito do que li, nada direi. Da poesia para a prosa, onde me sinto bem melhor, cheguei a O banqueiro anarquista. E se a escrita de Pessoa é simples e bem estruturada, a clarividência da argumentação e o método de construção são de tal forma consistentes que a aparente contradição do título desta obra se desmorona antes do meio do livro. Banqueiro e anarquista só aquando da leitura do título me pareceram palavras antagónicas.
A referida colecção do i terá dez obras e pelo menos um leitor atento.
Foram três dias na Seganosa, num Curso de Combate a Incêndios de nível um. Teve extintores, fogos de classe A, B e C, fogos de exterior e interior, ARICA e resgate de vítimas. Apesar da partida em cima da hora, o balanço é mais que positivo. Experiência fantástica e que me leva a respeitar ainda mais o trabalho dos bombeiros.
Qual o melhor golo que vi? Pus-me a pensar neste assunto depois de a mesma pergunta ter sido feita a Carlos Queiroz. O futebol já me deu a ver imensas coisas fantásticas, mas não me lembro de um momento de maior classe que este. Como se não bastasse, este holandês que tinha medo de voar tem mais uma dezena de golos de grande nível.
Numa recente entrevista, Erlend Øye dizia para não se esperarem grandes produções nos concertos de Kings of Convenience. Estes seriam seriam sempre pouco mais que duas pessoas honestas em palco. Na noite de dia dois, no Theatro Circo, tal como já tinha acontecido no ano passado, na Casa da Música, isso sentiu-se. O alinhamento misturou temas anteriores – por exemplo, os obrigatórios Homesick, Misread e I’d Rather dance with you – com temas do novo álbum, Declaration of Dependence, como Power of not knowing, Me in you e Boat Behind. Na recta final do espectáculo, tal como em Julho passado, Erlend convidou o público a levantar-se e chegar-se ao palco, o que resulta sempre num final mais intenso. No encore, Eirik voltou a começar pela prática do português, atirando-se a um Corcovado ainda com mais sotaque. Tobias Hett e Davide Bartolini foram excelente companhia deste duo que contrasta em personalidade – com Eirik sempre reservado e contido e com Erlend a protagonizar os momentos de maior loucura -, mas combina na perfeição em termos musicais.
Com o final do concerto chegou também a certeza de que lá esteve a prometida honestidade. E isso, por mais meios de que disponham, não há produção ou logística que possam garantir.
Esta noite cabe a Lisboa a sorte de receber os Kings of Convenience, no Coliseu.
Second To Numb – Declaration of Dependence
[Antes de subirem ao palco os rapazes de Bergen - cidade que Eirik Glambek chegou a comparar com Braga pelo tipo de ruas, edifícios e pela chuva -, Erlend veio anunciar e partilhar uma sua desboberta musical, pedindo a maior atenção para a chilena Javiera Mena. Menos de meia dúzia de temas confirmaram a minha pouca predisposição para a música na língua de nuestros hermanos.]
Foi na pista dez e com uma espécie de bandeira italiana calçada em cada um dos pés que se decobriu mais um passatempo. Pela primeira vez uma bola furada não implicou substituição. O que se derrubou não teve que se arrumar. As pontuações foram fraquíssimas, mas disso não rezará a história. Até porque, antes de um regresso à pista, há aula teórica.
Por saber da sua grande paixão por cavalos, precipitou-se num longo monólogo em que lhe falou de tudo o que sabia sobre estes animais. Referiu o cavalo de Tróia, não deixando de fazer um rigoroso enquadramento histórico; achou interessante falar nos cavalos de Napoleão e nos seus feitos; ainda conseguiu abordar os mitológicos cavalos alados. Não teve tempo para mais. Percebendo onde aquela conversa pretendia chegar, ela atalhou: - Tira o cavalinho da chuva.
Esta receita chama-se: couves-de-bruxelas com limão. Tomem nota, por favor. Ingredientes para quatro pessoas: 800 gramas de couves-de-bruxelas, o sumo e a casca de um limão, uma cebola, um ramo de salsa, 40 gramas de manteiga, pimenta-preta e sal. Prepara-se da seguinte maneira. Um: limpar bem as couves e retirar as folhas exteriores. Picar finamente a cebola e a salsa. Dois: numa panela com água a ferver e sal cozer as couves durante vinte minutos ou até estarem tenras. Depois escorrer bem e tapar. Três: numa frigideira untada com manteiga refogar ligeiramente a cebola, acrescentar a casca ralada e o sumo do limão e temperar com sal e pimenta a gosto. Quatro: juntar as couves, misturar com o molho, refogar uns minutos, salpicar com a salsa e servir enfeitadas com rodelinhas de limão.