Um passeio gastronómico para os lados de Cantanhede, na companhia de bons amigos, proporcionou mais um Café Central para a colecção. É o quinto.
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Um passeio gastronómico para os lados de Cantanhede, na companhia de bons amigos, proporcionou mais um Café Central para a colecção. É o quinto.
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- Já não sei se conseguia viver na cidade, no meio do trânsito e da confusão. Vivo numa espécie de céu.
- Para viver no céu tenho eu mais que tempo.
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O Slowcoustic é já um habitual fornecedor musical desta página. Desta feita, encontrei por lá este projecto de Lieven Scheerlinck, a Singer of Songs. Radicado em Espanha – não parece que por lá nascido, pelo nome -, o músico tem em Old happiness o seu último trabalho. Com Elliott Smith e Will Oldham entre as suas referências, Scheerlinck teria que ser um contador de histórias. Neste Road to nowhere, faz-se acompanhar da voz feminina de Tiny Ruins. Para ir descobrindo.
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- Minha senhora – disse-lhe eu -, não espere muita coerência desta volta ao dia. De facto, o que encontramos neste A volta ao dia em 80 mundos é um conjunto de textos sobre os mais variados temas, desde a música – o jazz, principalmente -, ao boxe, com as obrigatórias passagens pela literatura. Com esta escolha de escritos e imagens, Cortázar volta a mostrar-se um dos autores mais inovadores que tive oportunidade de ler. Em O jogo do mundo, podemos encontrar dois livros, ou duas formas de ler um livro: uma primeira mais tradicional, do primeiro ao 56º capítulo, e uma segunda, começando no capítulo setenta e três e seguindo uma ordem definida numa tábua de orientação. Num dos textos que A volta ao dia em 80 mundos reúne, Julio Cortázar apresenta aquela que seria a ideia para uma máquina de ler O jogo do mundo (Rayuela). Teria a designação de Rayuela-o-matic e consistiria numa espécie de armário com o número de gavetas correspondente ao número de capítulos do livro. Depois, consoante a forma de leitura que se tivesse escolhido, as gavetas iam abrindo na sequência definida, à medida que o leitor fosse terminando cada capítulo. Outro dos pedaços interessantes desta obra é o conto A carícia mais profunda, em que um homem se vai sentindo afundar no solo sem que mais ninguém se aperceba disso. Há ainda uma interessante escolha de poemas e uma série de opiniões que nos levam a pensar que Cortázar teria sido um blogger de mão cheia.
As palavra finais vão para a Cavalo de Ferro: a edição deste A volta ao dia em 80 mundos está excelente e a notícia de que está já prevista a edição de Papéis inesperados não lhe fica atrás. Assumo-me como seguidor.
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O futebol é isso que vemos na imagem acima colocada. Tudo o resto é circo.
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Esta não foi a primeira, nem será a última. Foi até das mais simples. Comer um kiwi dispensa agora que se descasque o fruto, bastando para tal um corte transversal e uma colher de sobremesa. Como se de um maracujá se tratasse. Pode ser coisa usual para muita gente, mas para mim foi perfeita novidade.
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We live together in a photograph of time
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Se mais provas fossem necessárias, este Inglorious basterds vem acentuar ainda mais a excelência de Tarantino enquanto realizador. Os planos são brilhantes, os enquadramentos idem. A música continua a ter honras de papel principal e a levar as cenas – com os já referidos excelentes planos e enquadramentos – a um patamar superior. Junte-se a estas imagens de marca uma história interessante, com contornos históricos e ficção à mistura, diálogos escritos de forma cuidadosa e um elenco a contar com um Brad Pitt no seu melhor, um convincente Eli Roth e um Cristoph Waltz num papelão e pouco ficará por dizer. Filmaço.
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Em Away we go, não se pode dizer que Sam Mendes traga algo de novo. A história é a de um casal que se prepara para o primeiro filho sem aquilo a que chamam uma vida estável. Como uma gravidez traz mudanças, este é obrigatoriamente um filme de mudanças. Com o propósito de decidirem onde se vão estabelecer, onde vão formar família, Burt e Verona iniciam uma viagem com passagem por cidades onde têm família ou amigos. Do contacto com os seus anfitriões de cada local, vão-se apercebendo de que as dificuldades estão por todo o lado e que, afinal, talvez tenham mais do que é preciso para a tal estabilidade. Por ser, mais do que um filme de acção, um filme de reacção, não se espere de Away we go um filme empolgante. Ainda assim, na lenta evolução do filme e por entre uma série de lugares comuns, Sam Mendes consegue bons momentos. Ser-me-ia impossível não referir a excelente banda sonora, quase toda da responsabilidade de Alexi Murdoch.
Enquanto a barriga de Verona vai aumentando, vão-se definindo as fundações do que será a futura casa da família. O resto é uma questão de espera – And if I can’t be all that I could be, will you, will you wait for me?

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Podia ser cena de filme. Não fosse o navio um navio de carga, não fosse o horizonte composto de contentores cor de ferrugem, não fossem os odores a óleo. Podia ser cena de filme, mas foi mais que isso. Num filme não caberia a saudade que se ia queimando naquele cigarro, preso entre a fuligem de dois dedos.
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O caminho para a felicidade não tem uma passadeira. Mas quantas ruas já atravessámos dessa forma?
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Escuto uma vez mais Mano a Mano, que prefiro a qualquer outro tango e a todas as gravações de Gardel. A letra, implacável no seu balanço da vida de uma mulher que é uma mulher da vida, contém em muito poucas estrofes «la suma de los actos» e o vaticínio infalível da decadência final. Vergado aos pés desse destino com o qual por um momento conviveu, o cantor não expressa nem cólera, nem despeito. Perturbado na sua tristeza, evoca-a e vê que foi na sua pobre vida miserável apenas uma boa mulher. Até ao fim, e apesar das aparências, defenderá a honradez essencial da sua antiga amiga. E desejará o melhor para ela, insistindo na qualificação:
Que el bacán que te acamala tenga pesos duraderos,
que te abrás en las paradas con cafishos milongueros,
y que digan los muchachos: «Es una buena mujer.»
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Fevereiro trará novamente o Festival Para Gente Sentada a Santa Maria da Feira. Na sua sexta edição, no Cineteatro António Lamoso, estão já assegurados os nomes de Bill Callahan – 26 de Fevereiro – e dos Dakota Suite – 27 de Fevereiro. Entretanto, há notícias que apontam os Camera Obscura como outro dos nomes para o segundo dia de festival. Nesta equação, a minha preferência ainda pende para o dia 26, mas com uma organização que já conseguiu trazer a Santa Maria da Feira Sufjan Stevens, Devendra, Adam Green, Patrick Wolf e Sondre Lerche isto pode mudar num instante.
Como aperitivo, fica aqui Eid Ma Clack Shaw, do último álbum de Bill Callahan, Sometimes I Wish We Were An Eagle.
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Numa primeira incursão pelos autores russos, duvido que a escolha pudesse ter sido mais acertada. Nesta meia dúzia de contos de Tchékhov fica à vista a uma escrita simples, mas capaz de grandes impressões no leitor. Sobre o autor, terá escrito Nabokov que escrevia livros tristes para pessoas alegres; quero dizer com isto que só um leitor com sentido de humor será capaz de sentir a fundo a tristeza deles. Há escritores que emitem um som intermédio entre o riso abafado e o bocejo — muitos deles, a propósito, são humoristas profissionais. (…) O humor de Tchékhov é alheio a isso tudo; é um humor puramente tchekhoviano. O mundo, para ele, é cómico e triste ao mesmo tempo, e sem repararmos na sua comicidade não compreenderemos a sua tristeza, porque são inseparáveis. Esse humor, nesta selecção de contos, está mais presente em O testa-branca, que termina com um velho guarda a tentar explicar a um cão que se entra pela porta. Em O beijo, não deixa de ser cómica a excitação de um capitão por um beijo que recebeu de uma mulher que não conseguiu ver e a construção mental que vai fazendo dessa mulher. Cómica e enternecedora ao mesmo tempo, com o capitão a tentar encontrar em cada mulher que via traços que pudessem ajustar-se à atmosfera vivida no breve momento do beijo.
Entre estes contos está ainda outra verdadeira pérola, A senhora do cãozinho. Nesta história de adultério, um homem próximo dos quarenta anos, casado e já com três filhos, envolve-se com uma mulher mais nova, também casada, que passava uns dias sozinha em Ialta. A um primeiro encontro seguiram-se sucessivas viagens entre as cidades em que cada um vivia. A gestão entre as duas vidas que viviam – a pública, do conhecimento de todos, e a secreta, que faziam por esconder – começa a complicar-se com a multiplicação dessas deslocações.
Em todos estes contos, há uma autenticidade incrível. Revisitar Tchékhov é já uma certeza.
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Digo-o em relação à Série Ípsilon II. É uma série porque é distribuída à razão de um filme por semana. É fora de série porque tem Juno, que vi e achei excelente. É então uma série porque tem periodicidade. É fora de série porque tem Climas, que tanto queria ter visto. Basicamente, é uma série sempre pela mesma razão. Já as justificações para que se possa considerar fora de série são, no mínimo, vinte.
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Trazemos ao peito um relógio por acertar. Coisa de somenos: ao peito, interessa mais a resistência do que a precisão.
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