Quinta dos Murças

Quinta dos Murças

Mora no Douro, virada para uma estação de comboios quase esquecida, uma quinta difícil de esquecer. Olha para o rio como todos aqueles que têm a sorte de espreitar da sua varanda, à espera de que o tempo passe devagar. A verdade é que o tempo parece mesmo ter feito um secreto acordo com a quinta, que nos faz demorar os olhos em tudo o que são pormenores. Assim, vivemos mais devagar, sentimos mais devagar, estamos mais próximos de nós, como a quinta está mais próxima da sua origem, da terra. E ao estar a quinta mais próxima da terra, estão as laranjas mais próximas de realmente serem laranjas e estão os vinhos mais próximos de realmente serem vinhos. A quinta é Douro autêntico, como autênticas são as suas gentes, que não sabem receber sem fazerem uso da palavra dar em todos os seus gestos.

Ia precisar de muitos caracteres para resumir os dois dias passados na Quinta dos Murças, a convite do Esporão. Repetir o obrigado ainda é capaz de ser das melhores soluções. Obrigado, muito obrigado.

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Meias palavras

Não me leves a mal por eu dizer que és muito parecida com a minha ex.
É que ela era Linda de nome e tu chamas-te Joana.

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Bom dia. Boa semana.

Há uma infinidade de motivos para uma fuga, mas a ideia de fugir é sempre a mesma: ficar melhor.

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«Quando alguém quer determinar o sentido de algo que lê, não despreza os sinais e letras chamando-lhes engano, acaso e casca inútil, mas lê, estuda e ama-o, letra por letra. Mas eu, que queria ler o Livro do Mundo e o Livro do meu próprio ser, desprezei as letras e os sinais devido a um sentido preconcebido, chamei engano ao mundo das aparências, chamei aparência casual e inútil aos meus olhos e à minha língua.»

Hermann Hesse, Siddhartha

Da leitura do mundo

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Todavia, o tempo soprava; sem se importar com os homens, percorria o mundo de uma ponta à outra, molestando as coisas belas; e ninguém lhe conseguia escapar, nem as crianças acabadas de nascer e que ainda nem nome tinham.

Dino Buzzati, O deserto dos Tártaros

A inclemência do tempo

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Bom dia. Boa semana.

Para quem adivinha uma semana mais difícil, desta vez começamos com quatro temas. Para quem espera uma grande semana, também quatro temas. A imparcialidade reina, por aqui.

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Parecia que tinha sido ontem, contudo o tempo não deixara de se dissipar com o seu ritmo imóvel, igual para todos os homens, nem mais lento para quem é feliz nem mais veloz para os desventurados.

Dino Buzzati, O deserto dos Tártaros

Da imparcialidade do tempo

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Bom dia. Boa semana.

Esta música já aqui esteve. Nunca esteve foi de calções de praia, creio.

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Despertares

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Bom dia. Boa semana.

Bem que podias voltar a este registo, despir adornos mais ou menos excessivos e mostrar só a essência.

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Peguei e agarrei-a pelos ombros, sem beijá-la nem nada, mas ela muito elegante, preveniu-se e tirou o roupão e com o roupão tirou as minhas mãos: não me tirou as mãos, despiu-se de mim.

Guillermo Cabrera Infante, Três tristes tigres

Striptease

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Bom dia. Boa semana.

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Um embuste chamado promoção

Depois de ter visto anunciada, por diversos órgãos de comunicação social, a Feira do Livro da Livraria do Mercado do Bom Sucesso e depois de vários amigos, conhecedores do meu gosto por livros, terem partilhado o evento comigo, lá me pus ao caminho, com o meu filho mais velho, para uma nova experiência de comprar livros a peso. Mais do que eu, ia o miúdo entusiasmado por comprar livros como quem compra alimento, ao quilo. Ao chegar lá, rapidamente percebemos que a campanha não era tão atractiva como soava e prometia. Mas até aqui tudo bem, apesar de se resumir a uma mesa com edições fraquinhas (é assim que tem que se dizer), de fundo e resto de catálogos, a campanha de facto existia. Acontece que, não encontrando nessa mesa nada que entusiasmasse o miúdo, e não querendo ferir aquele entusiasmo de apaixonado leitor infantil, lá entrámos na livraria para que ele pudesse voltar para casa minimamente satisfeito. Escolheu um livro com um “interessante” desconto de 40%, paguei e saímos. Antes de voltarmos a casa, parámos para eu tomar um café. Foi sentar, abrir o livro e encontrar o que me levou a entalar a palavra interessante entre aspas, umas linhas aqui acima. É que, logo no verso da capa, encontrámos a etiqueta da editora com o p.v.p. do livro. Uma rápida consulta na web confirmou o que a etiqueta anunciava: 5€. Na Fnac, na Wook, na Bertrand…
Na “interessante” campanha da Calendário de Letras (grupo a que a referida livraria pertence), a etiqueta marcava p.v.p. de 13,99€ (!!) e um Preço de Feira de 8,39€ (!!). Maravilha. Admirável mundo sem escrúpulos: inflacionar um livro em quase 200%, para fazer uma campanha de 40% que, afinal, vai ao bolso do cliente em mais de 60%.
Voltámos à loja com um livro em que não cabia a minha indignação. O funcionário que simpaticamente nos atendeu, desfez-se desta vez em desculpas e mostrou-se envergonhado. Não sabia o que dizer. Devolveu-nos, naturalmente, o dinheiro. Pedi o livro de reclamações, mas acabei por não fazer uso dele única e simplesmente por consideração à aflição do funcionário.
A Calendário de Letras, onde quer que esteja e sob a forma em que se apresente, perdeu os dois clientes que ontem foram enganados na Livraria do Mercado. E, eventualmente, perderá também os que, através deste relato, se sentirem igualmente indignados. Numa era de redes sociais e de contactos universais, enganar dois clientes é, mais do que nunca, enganar todos.

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Bom dia. Boa semana.

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Talvez toda a minha higiene de nada esperar seja um pouco ridícula. Nada esperar da vida, para nada arriscar, dar-me por morto para não morrer. De súbito tudo isso me pareceu uma letargia imensa, inquietíssima; quero pôr-lhe um fim.

Adolfo Bioy Casares, A invenção de Morel

Uma letargia inquieta

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Quis publicar um livro mas nunca o chegou a fazer, porque estava continuamente a fazer alterações no manuscrito, e fez tantas e tão grandes que, por fim, do manuscrito já nada restava, a alteração do manuscrito nada mais era do que a eliminação total do manuscrito, do qual por fim nada mais ficou do que o título O Náufrago. Agora tenho apenas o título, disse-me ele, assim é que está bem.

Thomas Bernhard, O Náufrago

Título

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Bom dia. Boa semana.

A coruja é bicho da noite. O whiskey também. A música não tem relógio, para nunca chegar tarde.

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Bruno Fernandes

Muito craque, muito completo. Uma pena ter escapado ao FC Porto. Encaixava na perfeição.

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Prognóstico

Esta noite, o resultado perfeito era 5-2.

(Cinco números e duas estrelas, claro está.)

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