Bom dia. Boa semana.

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Bom dia. Boa semana.

Porque as flores, aqui trazidas como metáfora do que há de bom, também resistem ao frio. Não há tempo ou lugar inóspitos para a força de vontade.

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O caso Morel

O caso MorelHá uns anos, depois de ler O seminarista, de Rubem Fonseca, avaliei aquela leitura como nada mais do que agradável, mas não deixei de considerar um regresso à obra do autor brasileiro. Hoje, terminada a leitura de O caso Morel, consigo ter Rubem Fonseca em melhor conta. Com uma escrita muito directa, sem grandes figuras de estilo, consegue fazer deste livro, pela estrutura, pela composição das personagens e pelo ritmo imposto, mais do que um simples policial. Além do crime que se vai revelando, entre histórias quase todas muito sexuais, vai-se percebendo – e também confundindo – uma outra camada narrativa, paralela, que corresponde à escrita de um livro que relata a vida de Paul Morel, a interessante personagem central do romance. Rubem Fonseca aproveita ainda para, a espaços, satirizar alguma arte contemporânea. Em resumo, se O seminarista foi só uma leitura agradável, O caso Morel já foi uma leitura interessante. Porta aberta para Rubem Fonseca, portanto.

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Bom dia. Boa semana.

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“O meu advogado é uma besta”, diz Morel. “Você também foi advogado, não foi?”
“Fui.”
“Foi polícia, também?”
“Fui.”
“Que vida sórdida a sua. Polícia, advogado, escritor. As mãos sempre sujas.

Rubem Fonseca, O caso Morel

Trabalho sujo

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Bom dia. Boa semana.

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Numa loja de pássaros é onde se concentram mais gaiolas. Não há lugar nenhum no mundo construído com tantas restrições como uma loja de pássaros. São gaiolas por todo o lado. E algumas estão dentro dos pássaros e não por fora como as pessoas imaginam. Porque Bonifaz Vogel, muitas vezes, abrira as portas das gaiolas sem que os canários fugissem. Os pássaros ficavam encolhidos a um canto, tentando evitar olhar para aquela porta aberta, desviavam o olhar da liberdade, que é uma das portas mais assustadoras. Só se sentiam livres dentro de uma prisão. A gaiola estava dentro deles. A outra, a de metal ou madeira, era apenas uma metáfora.

Afonso Cruz, A boneca de Kokoschka

Gaiolas interiores

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Caos calmo

Caos calmo

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Microcosmos [a moral]

Encontrava com relativa facilidade a moral das histórias. Encontrá-la nas pessoas já não era tarefa tão simples. Daí que passasse mais tempo entre livros do que entre gente.

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Bom dia. Boa semana.

De repente, tens que tomar decisões. Pensas e repensas. Achas que te decidiste, mas não deixas de consultar aquelas que são as tuas ajudas de sempre. Recebes a confiança que era de esperar e pensas uma última vez. Depois, é respirar e, entre as naturais dúvidas que possam ir surgindo, avançar determinado.

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Viagem a 2009

(it was) because i was in love

São quase cinquenta e três minutos do que de melhor Sharon Van Etten já fez. É um regresso ao trabalho de estreia, com alguns retoques – até no título do álbum – e dois temas de bónus. É Sharon Van Etten no início do caminho, mais dúvidas e hesitações do que hoje, mais perguntas do que respostas, mas tudo muito autêntico e sentido. Também é voltar a 2009 e não cair fora de tempo. É tudo, por hoje. E não é pouco.

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Afonso Cruz. Outra vez.

Regresso a Afonso Cruz e confirmo que não o consigo fazer a um ritmo lento. E a questão nem tem tanto a ver com rapidez, mas sim com avidez. Custa parar. Custa aproveitar o que se acabou de ler sem estar a pensar no que vem a seguir. Afonso Cruz é uma espécie de água salgada, que sacia por um brevíssimo momento e dá sede imediatamente a seguir. É tudo para quem procura repetida satisfação. Deve ser evitado por quem não quer ter sede.

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📖 6

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Bom dia. Boa semana.

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Pau Buscató

Pau Buscató

@Pau Buscató

O atraso com que descobri Pau Buscató – obrigado, P3 – consegue ser superior ao tempo que levamos a descobrir todos os detalhes das suas fotografias. É uma satisfação tê-lo descoberto e é uma amargura só o ter feito agora. O que o fotógrafo catalão faz é uma maravilha para a vista e um desafio para a percepção. É fotografia para ver, rever e observar com atenção. Há tanto cuidado e tanta intenção em cada disparo que até espanta ser fotografia de rua.  Vale a pena espreitar a galeria de fotografias e a breve entrevista que o P3 partilha. Vale tanto a pena que dificilmente se evita uma visita ao site oficial do fotógrafo, em busca de mais enigmas visuais.

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Bom dia. Boa semana.

Atrasado e rebobinado.

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Estou cansada, diz.
São só três quilómetros, diz Elisabeth.
Não me refiro a isso, diz a mãe. Estou cansada do noticiário. Estou cansada do modo como torna espetacularss coisas que não o são e da maneira simplista como aborda o que é verdadeiramente aterrador. Estou cansada do azedume. Estou cansada da raiva. Estou cansada da mesquinhez. Estou cansada do egoísmo. Estou cansada de nada fazermos para lhe pôr fim. Estou cansada do modo cono o encorajamos. Estou cansada da violência que existe e estou cansada da violência que está a caminho, que aí vem, que ainda não aconteceu. Estou cansada de mentirosos. Estou cansada de mentirosos santificados. Estou cansada de como esses mentirosos permitiram que isso acontecesse. Estou cansada de ter de me perguntar se o fizeram por estupidez ou se o fizeram de propósito. Estou cansada de governos mentirosos. Estou cansada de as pessoas não quererem saber se lhes continuam a mentir. Estou cansada de me ver obrigada a sentir-me tão apavorada. Estou cansada da animosidade. Estou cansada da pusilanimosidade.
Não creio que essa palavra exista, diz Elisabeth.
Estou cansada de não saber as palavras certas, diz a mãe.

Ali Smith, Outono

As palavras certas 

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Bom dia. Boa semana.

Uma pitada de Patrick Watson nunca fez mal…

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Partidarismo

Enquanto olharmos para a política como quem vê futebol, como adepto de um clube, estaremos a perder tempo. Só que no futebol perder tempo é só anti-jogo, na política é anti-futuro.

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Big Brother

Um bocado assustador perceber o que, sem qualquer referência, o Facebook sabe.

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