Bom dia. Boa semana.

A ideia, esta semana, é tentar trazer sempre estas nuvens na cabeça e agir com a calma que elas me transmitem. Uma semana com a cabeça nas nuvens, a ver se o coração fica no lugar.

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Prefácio breve e não autorizado

Belmiro Poente nasceu em 1974. O autor destas páginas também. A história de Belmiro Poente é contada aos avanços e recuos, de memórias em memórias. A do autor deste monólogo é escrita a direito, sobre as linhas de um qualquer caderno pautado. Belmiro Poente nasceu para estar entre as mulheres e para afastar a bola em direcção à baliza. O criador de Belmiro Poente nasceu para escrever histórias muito verdadeiras com personagens um tanto fictícias. Em 2042, Belmiro Poente encontra-se no Hospital do Esquecimento, a braços com um diagnóstico de demência. Em 2042, o autor deste livro tem que ter conseguido escapar ao esquecimento. A prosa que aqui se encontra tem muitos sonhos e pouco sono. Acorde também quem puder trazer este autor à luz do dia.

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Bom dia. Boa semana.

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Onze anos e meio

Onze anos e meio

No final deste mês, a 31 de Janeiro, terminará uma relação contratual de onze anos e meio. A sentimental perdurará. Trago muitos ensinamentos, colegas que respeito e alguns amigos. Deixo um agradecimento a todos os que bem me acolheram e ajudaram. Muito obrigado.

Seguir-se-á um novo desafio e, com ele, novas aprendizagens. Vontade de aprender não falta. Queira a sorte, ajuda preciosa em tudo, dar um ar da sua graça.

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Bom dia. Boa semana.

Que coisa bonita de se fazer com as palavras, Tim. Cantar o complicado desta forma simples. Dá vontade de morar uns dias nesta canção, junto desses silenciosos alicerces que são as mulheres nela cantadas.

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Contei-lhe sobre o pai de uma amiga, que regressou da guerra e morreu poucos dias depois. Morreu de doença do coração. Eu não conseguia perceber como era possível morrer depois da guerra, quando toda a gente estava feliz.

Svetlana Alexievich, As últimas testemunhas

Da ironia da guerra

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Bom dia. Boa semana. Bom ano.

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Diz que é uma espécie de serviço público

Terminemos o ano com uma sugestão diferente, uma aplicação que pode ajudar quem anda pelos hipermercados de lista de compras na mão. Chama-se Bring! e facilita muito a tarefa: tem listas de produtos já definidos, dá a hipótese de os criar, de lhes atribuir uma imagem e de lhes alterar a descrição. Adicionam-se produtos à lista de compras com um clique e retiram-se com a mesma facilidade. E o melhor ainda vem depois: as listas podem ser partilhadas e actualizadas por vários utilizadores, gerando notificações a cada alteração. Depois de algumas utilizações, ainda dá uma ideia muito básica de existências, sugerindo os produtos que já foram comprados há mais tempo. Como se não bastasse, é grátis. Pode ser descarregado para Android e iOS, mas também pode ser actualizado na web.
Portanto, se virem alguém às compras de papel na mão… não sou eu!

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Bom dia. Boa semana.

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🎄

🎄

Hoje é dia de dizer muito com pouco: Feliz Natal, na companhia física e sentimental de todos os que nos são queridos! Que os sonhos engordem e se cumpram!

Bom dia. Boa semana.

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Disseram-te que as árvores sobrevivem respirando apenas uma vez por dia. Quando o sol nasce, sorvem os seus raios numa golada longa e luxuriante e, quando se põe, expiram uma enxurrada de dióxido de carbono.

Han Kang, Atos humanos

Respirar fundo

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História infeliz com final feliz

Era uma vez um incêndio que entrou numa casa em que estavam duas pessoas e só queimou o que se podia substituir. Há quem diga que foi uma desgraça. Eu só consigo dizer obrigado.

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Bom dia. Boa semana.

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Bom dia. Boa semana.

Porque as flores, aqui trazidas como metáfora do que há de bom, também resistem ao frio. Não há tempo ou lugar inóspitos para a força de vontade.

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O caso Morel

O caso MorelHá uns anos, depois de ler O seminarista, de Rubem Fonseca, avaliei aquela leitura como nada mais do que agradável, mas não deixei de considerar um regresso à obra do autor brasileiro. Hoje, terminada a leitura de O caso Morel, consigo ter Rubem Fonseca em melhor conta. Com uma escrita muito directa, sem grandes figuras de estilo, consegue fazer deste livro, pela estrutura, pela composição das personagens e pelo ritmo imposto, mais do que um simples policial. Além do crime que se vai revelando, entre histórias quase todas muito sexuais, vai-se percebendo – e também confundindo – uma outra camada narrativa, paralela, que corresponde à escrita de um livro que relata a vida de Paul Morel, a interessante personagem central do romance. Rubem Fonseca aproveita ainda para, a espaços, satirizar alguma arte contemporânea. Em resumo, se O seminarista foi só uma leitura agradável, O caso Morel já foi uma leitura interessante. Porta aberta para Rubem Fonseca, portanto.

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Bom dia. Boa semana.

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“O meu advogado é uma besta”, diz Morel. “Você também foi advogado, não foi?”
“Fui.”
“Foi polícia, também?”
“Fui.”
“Que vida sórdida a sua. Polícia, advogado, escritor. As mãos sempre sujas.

Rubem Fonseca, O caso Morel

Trabalho sujo

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Bom dia. Boa semana.

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Numa loja de pássaros é onde se concentram mais gaiolas. Não há lugar nenhum no mundo construído com tantas restrições como uma loja de pássaros. São gaiolas por todo o lado. E algumas estão dentro dos pássaros e não por fora como as pessoas imaginam. Porque Bonifaz Vogel, muitas vezes, abrira as portas das gaiolas sem que os canários fugissem. Os pássaros ficavam encolhidos a um canto, tentando evitar olhar para aquela porta aberta, desviavam o olhar da liberdade, que é uma das portas mais assustadoras. Só se sentiam livres dentro de uma prisão. A gaiola estava dentro deles. A outra, a de metal ou madeira, era apenas uma metáfora.

Afonso Cruz, A boneca de Kokoschka

Gaiolas interiores

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