O homem: um deus amputado.

Rui Nunes, Baixo contínuo

Divindades

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Bom dia. Boa semana.

Enquanto o sol não volta, rendamo-nos aos possíveis encantos de um país nublado.

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O lixo é voraz: cai uma coisa no lixo e torna-se imediatamente lixo (coisa é o outro nome do lixo). Contaminação instantânea. Insaciável. O lixo é o início e o fim. Não o pó. (Não o regresso ao pó.) Que é, para Deus, o nome privado do lixo. Porque Ele é uma pessoa sensível, há palavras de que não gosta, que lhe provocam um pequeno enjoo, embora, coitado, tenha sido obrigado a criá-las: lixo, por exemplo,  Deus não sabe o que fazer com ela, tão imprópria de uma qualquer divindade, a criatura contra o criador, por isso anda sempre atarefado a limpar: terramotos, tsunamis, rios de lava, furacões, dilúvios: aprendemos com Ele estes processos expeditos: guerras, genocídios, holocaustos, enfim, uma boa limpeza. Somos alunos, competentes e aplicados.

Rui Nunes, Baixo contínuo

Da voracidade do lixo e da limpeza.

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Bom dia. Boa semana.

Coca-Cola, orquídeas e amores pouco perfeitos.

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A vida e, sobretudo, os livros estão cheios de histórias maravilhosas.
Podes lê-las, e, se estiverem bem contadas, é exactamente como se as vivesses.

Mario Vargas Llosa, O barco das crianças

As muitas vidas do leitor

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O sabor da cereja

O sabor da cereja

Por ser coisa cada vez mais rara, já não me lembrava de trocar uns minutos de leitura por uns minutos de televisão e sentir que valeu a pena. Aconteceu esta semana, com as bênçãos de Kiarostami e da RTP2.

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Reflectindo sobre o passado, é possível que tenha sido nessa altura que conheci a verdadeira felicidade, sem pensar em nada que não fosse viver simplesmente com uma mulherzinha apetitosa. Agora, cada vez que quero encontrar frescura e felicidade nas minhas recordações, é aí que me detenho, nesse momento bem egoísta, quando éramos dois a chatear toda a gente.
Tudo coisas que não são para contar. Sem sofrimento, não existe história, arte, civilização, nada. Já sabemos.
Se virmos bem, a felicidade é sempre qualquer coisa de obsceno.
Um contentamento perfeito, tanto à superfície como em profundidade, comer bem, gozar a vida, em espasmos ou em preces, eis a base de tudo. O resto não passa de uma grande farsa e de um biombo. A felicidade é começar por nos fecharmos num grande egoísmo. Não é que seja bonito, mas é repousante.

Jean Meckert, Golpes

A pouca história da felicidade

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Setembro

Setembro

Dois livros que abordam, entre outras coisas, o conformismo: um conformado (aborrecido, até), o outro verdadeiramente inconformado. Golpes pode parecer a escolha menos evidente, mas é a que aconselho.

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Bom dia. Boa semana.

Domingo feito a correr, a espremer o tempo para dar para tudo. Deitar tarde, adormecer pela manhã, sair atrasado para levar os pequenos à escola e para ir para o trabalho. Mas o importante é ter o coração em dia, e o dia de ontem ajudou.

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9

Agora que carregas às costas o número nove, larga a marcação, sobe no terreno, enche-te de confiança e pensa mais em ti e no golo. Não fiques demasiado preso a tarefas defensivas, a qualquer amarra. Aparece, expõe-te, chuta à baliza. De onde quiseres, como quiseres. Podes não fazer golo, mas nada deve tirar-te a alegria de o tentares. Quando sentires que deves chutar, quando precisares de chutar, não ouças quem te gritar o contrário. Faz o que sentes que deves fazer, faz o que te fizer feliz: nem sempre será golo, mas estarás sempre mais perto de marcar. Um número nove quer-se livre e confiante. Guarda uma certeza para as tuas melhores e, principalmente, piores exibições: comigo, serás sempre tu e mais dez.

9

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Bom dia. Boa semana.

Recuar para avançar.

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Lições da paternidade

A caminho do parque infantil, avistámos uma feira.

– Papá, o que é aquilo?

– É a Feira dos Golfinhos. Vendem-se coisas usadas. Antiguidades, livros…

– … brinquedos.

– Também, mas não trago dinheiro comigo. Nem um euro.

Lá seguimos caminho para o parque, onde a feira continuou à vista, mas caída no esquecimento.

No regresso a casa, sucumbi à habitual tentação e abrandei para espreitar uma banca de livros. Quase de imediato:

– Vamos mas é embora, disseste que não trazias dinheiro.

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Sobre muros e hipocrisias

@javirroyo

@javirroyo

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Bom dia. Boa semana.

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– Vocês não passavam de miúdos! – disse ela.
– Como? – perguntei.
– Vocês não passavam de miúdos na guerra, como os que estão lá em cima.
Acenei que era verdade com a cabeça. Nós tínhamos sido virgens tolos na guerra, mesmo no limiar da infância.
– Mas não é assim que vai escrever, pois não? – Não era uma pergunta; era uma acusação.
– Eu… não sei – disse eu.
– Pois, mas sei eu – disse ela. – Vai fingir que eram homens em vez de miúdos, e o Frank Sinatra, ou o John Wayne, ou outro velho qualquer nojento, charmoso e apaixonado pela guerra, fará de si no cinema. E a guerra há de parecer uma coisa maravilhosa, por isso teremos muitas mais. Que serão combatidas por miúdos como aqueles que estão lá em cima.
Foi então que percebi. Era a guerra que a deixava tão irada. Não queria os seus miúdos, nem os de ninguém, a serem mortos nas guerras. E pensava que as guerras eram instigadas pelos livros e pelos filmes.

Kurt Vonnegut, Matadouro cinco

Escrever a guerra

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Bom dia. Boa semana.

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Bom dia. Boa semana.

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RTP Memória

RTP Memória

Não sei quantos anos depois, foi manhã de regresso. E que bem soube. Não houve sangue, mas houve muito suor e promessa de lágrimas para os próximos dias. Numa manhã, voltei a perceber o que me levava a “gastar” dias inteiros junto a estas redes. Não me peçam é para explicar o que só sei sentir.

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