Bom dia. Boa semana.

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Com oito anos, estava desconcertada perante aquela imagem da mamã imóvel, surda e muda.
– Elenita – disse-lhe eu enquanto lhe fazia uma festa -, a morte é isso: imobilidade total, surdez total, mudez total. E não pensar. Nem sonhar.
– E sentir dor? – perguntou-me fazendo um beicinho que me comoveu.
– Não, sentir dor também não.
No início, aquilo parecia consolá-la mas logo de seguida olhou para a figueira.
– Estás a ver, Claudio? A figueira não se mexe, não ouve, não fala, não pensa, não sonha, não sente dor, mas está viva. Não é? Se calhar a mamã está como a figueira.

Mario Benedetti, A borra do café

Estar como a figueira

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Bom Porto

Bom Porto

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Formas de subir

Há duas formas de subir à Biblioteca Municipal Florbela Espanca: por escadas ou por rampas. Já lá dentro, há também duas formas de aceder aos seus pisos superiores: por escadas ou por elevador. E depois há os livros, que, bem usados, elevam ainda mais.

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Bom dia. Boa semana.

Benjamin Clementine canta Oscar Wilde. Lá fora, a chuva pode continuar a cair.

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Esquecer a vida por uma espécie de conforto imediato. Que nunca de tal me lembre.

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Sobre o rio

Sobre o rio, pouco a dizer, tanto ele como o silêncio são d’ouro. Acima do rio, a ponte. Sobre a ponte, dizer que sempre foi férrea, a vontade do homem em atravessar, em unir o que está separado. Acima da ponte, vidas. Sobre as vidas, tanta literatura. Acima das vidas, o céu. Debaixo de um céu nublado aqui e ali, tudo se envolve e resolve.

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– Este povo não se revolta contra nada nem contra ninguém.
– Olha! – dizia o outro, irritado. – Até parece que tu te revoltaste.
– Não me lixes, eu também não me revolto contra nada, por isso é que digo isto. É com conhecimento de causa.

Mario Benedetti, A borra do café

Conhecimento de causa

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Bom dia. Boa semana.

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Joga bonito

Joga bonito

Vai, pequenino, joga bonito. Joga como te der prazer. Joga livre. Erra os passes que tiveres que errar. Recupera a bola e volta a jogar da forma que te sentires feliz. Joga com essa tua traquinice. Joga com o teu embaraço. Joga com a tua independência. Quando sentires que é importante, joga-te por inteiro, com vontade e determinação. Quando estiveres cansado, pede ajuda, que eu jogo um bocadinho contigo. A sério, eu sempre gostei de futebol. Joga com confiança. Joga com alegria. Joga sempre com ideia de avançares, mesmo quando tiveres que recuar. Joga simples, quando tiver que ser. Atira à baliza sempre que puderes. Cada golo teu vai ser um golo meu, um golo nosso.

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Fragmagens

Estar aqui continua a ser muito bom. Entre livros, música, fotografia e o que mais apetecer. Estar aqui sem obrigações e sem imposições. Estar aqui é melhor do que estar em sítios cheios de gente que não anda à procura de nada, sítios cheios de barulho, de distracções e, principalmente, de confusão. Estar aqui é um sossego que me faz bem. Já não sei há quantos anos aqui estou, mas é por aqui que vou continuar. Todos os dias ou só quando o rei fizer anos, vou estar aqui.

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Bom dia. Boa semana.

Tempo. De descoberta, de cura, de redescoberta, de conclusões e de dúvidas. De decisões, também. Dê-se tempo ao tempo.

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A duas vozes

Tinham crescido juntas, a guitarra e Violeta Parra.
Quando uma chamava, a outra vinha.
Ela e a guitarra riam, choravam, interrogavam-se, acreditavam uma na outra.
A guitarra tinha um buraco no peito.
Ela também.
No dia de hoje, em 1967, a guitarra chamou e Violeta não veio.
Nunca mais veio.

Eduardo Galeano, Mulheres

Um buraco no peito

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Bom dia. Boa semana.

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#paletterepublic

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Bom dia. Boa semana.

Aprender a cair. Viver é um bocado isso.

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#paletterepublic

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Nunca um ser humano falou sobre paisagens mais do que dois minutos seguidos, o que me leva a suspeitar que há demasiada paisagem na literatura.

Robert Louis Stevenson, Apologia do ócio

O resto é paisagem

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Bom dia. Boa semana.

Isto já tem uns dias e eu tive que me esforçar muito para guardar a partilha para hoje. O vídeo arranca com o terceiro e último tema deste pequeno concerto, mas o melhor que podem fazer é ver desde o início. Tenho ouvido pouco mais do que isto, ultimamente. Julie Byrne fecha os olhos para abrir o coração. A harpa atira-se aos silêncios entre as palavras, sem lhes roubar o lugar ou a importância. É tão fácil estar noutro lugar.

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