Caos calmo

Caos calmo

Anúncios
Com as etiquetas

Microcosmos [a moral]

Encontrava com relativa facilidade a moral das histórias. Encontrá-la nas pessoas já não era tarefa tão simples. Daí que passasse mais tempo entre livros do que entre gente.

Com as etiquetas

Bom dia. Boa semana.

De repente, tens que tomar decisões. Pensas e repensas. Achas que te decidiste, mas não deixas de consultar aquelas que são as tuas ajudas de sempre. Recebes a confiança que era de esperar e pensas uma última vez. Depois, é respirar e, entre as naturais dúvidas que possam ir surgindo, avançar determinado.

Com as etiquetas ,

Viagem a 2009

(it was) because i was in love

São quase cinquenta e três minutos do que de melhor Sharon Van Etten já fez. É um regresso ao trabalho de estreia, com alguns retoques – até no título do álbum – e dois temas de bónus. É Sharon Van Etten no início do caminho, mais dúvidas e hesitações do que hoje, mais perguntas do que respostas, mas tudo muito autêntico e sentido. Também é voltar a 2009 e não cair fora de tempo. É tudo, por hoje. E não é pouco.

Com as etiquetas ,

Afonso Cruz. Outra vez.

Regresso a Afonso Cruz e confirmo que não o consigo fazer a um ritmo lento. E a questão nem tem tanto a ver com rapidez, mas sim com avidez. Custa parar. Custa aproveitar o que se acabou de ler sem estar a pensar no que vem a seguir. Afonso Cruz é uma espécie de água salgada, que sacia por um brevíssimo momento e dá sede imediatamente a seguir. É tudo para quem procura repetida satisfação. Deve ser evitado por quem não quer ter sede.

Com as etiquetas ,

📖 6

Com as etiquetas ,

Bom dia. Boa semana.

Com as etiquetas ,

Pau Buscató

Pau Buscató

@Pau Buscató

O atraso com que descobri Pau Buscató – obrigado, P3 – consegue ser superior ao tempo que levamos a descobrir todos os detalhes das suas fotografias. É uma satisfação tê-lo descoberto e é uma amargura só o ter feito agora. O que o fotógrafo catalão faz é uma maravilha para a vista e um desafio para a percepção. É fotografia para ver, rever e observar com atenção. Há tanto cuidado e tanta intenção em cada disparo que até espanta ser fotografia de rua.  Vale a pena espreitar a galeria de fotografias e a breve entrevista que o P3 partilha. Vale tanto a pena que dificilmente se evita uma visita ao site oficial do fotógrafo, em busca de mais enigmas visuais.

Com as etiquetas ,

Bom dia. Boa semana.

Atrasado e rebobinado.

Com as etiquetas ,

Estou cansada, diz.
São só três quilómetros, diz Elisabeth.
Não me refiro a isso, diz a mãe. Estou cansada do noticiário. Estou cansada do modo como torna espetacularss coisas que não o são e da maneira simplista como aborda o que é verdadeiramente aterrador. Estou cansada do azedume. Estou cansada da raiva. Estou cansada da mesquinhez. Estou cansada do egoísmo. Estou cansada de nada fazermos para lhe pôr fim. Estou cansada do modo cono o encorajamos. Estou cansada da violência que existe e estou cansada da violência que está a caminho, que aí vem, que ainda não aconteceu. Estou cansada de mentirosos. Estou cansada de mentirosos santificados. Estou cansada de como esses mentirosos permitiram que isso acontecesse. Estou cansada de ter de me perguntar se o fizeram por estupidez ou se o fizeram de propósito. Estou cansada de governos mentirosos. Estou cansada de as pessoas não quererem saber se lhes continuam a mentir. Estou cansada de me ver obrigada a sentir-me tão apavorada. Estou cansada da animosidade. Estou cansada da pusilanimosidade.
Não creio que essa palavra exista, diz Elisabeth.
Estou cansada de não saber as palavras certas, diz a mãe.

Ali Smith, Outono

As palavras certas 

Com as etiquetas ,

Bom dia. Boa semana.

Uma pitada de Patrick Watson nunca fez mal…

Com as etiquetas ,

Partidarismo

Enquanto olharmos para a política como quem vê futebol, como adepto de um clube, estaremos a perder tempo. Só que no futebol perder tempo é só anti-jogo, na política é anti-futuro.

Com as etiquetas

Big Brother

Um bocado assustador perceber o que, sem qualquer referência, o Facebook sabe.

Com as etiquetas ,

Fia-te nessa…

Com as etiquetas

Nada disso, garanto, é pessoal
Não tem uma pitada de má-fé,
Mas ninguém faz amor em Portugal
Sem antes passar horas num café.

Se quiseres transar em terra lusa,
Jamais alcançarás algum sucesso
Em levantar, de um português, a blusa
Se não tomarem baldes de expresso.

Bebe-se mais café que se ouve o fado.
Nesse país viciado em cafeína
Jamais sequer beijei uma menina

Que não tivesse, antes, se dopado.
Não importa o trabalho que dedicas,
Não farás (nem terás) bicos sem bicas.

Gregorio Duvivier, Sonetos
(Via Comunidade Cultura e Arte)

Sai um café 

Com as etiquetas ,

Bolaño sem espírito

Em O espírito da ficção científica encontram-se, efectivamente, algumas passagens à Bolaño. Só fica a faltar o resto, o que agiganta Os detectives selvagens e 2666. É um livro que se recomenda, essencialmente, a fãs e curiosos do escritor chileno: podem-se encontrar, nesta obra, os embriões de algumas personagens e acontecimentos de outros livros seus e podem-se encontrar, na parte final, imagens de rascunhos do autor, onde se vislumbram métodos e abordagens. Essencialmente por isto. Enquanto história, enquanto livro por si próprio, é pouco. Bolaño é muito mais.

Com as etiquetas ,

Bom dia. Boa semana.


A chuva é um bom início. Que apague o que há para apagar e que acelere o crescimento do muito que há a refazer, seja na terra ou no peito.

Com as etiquetas ,

📖 5

Com as etiquetas ,

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: «Fulano de tal
comunica a V. Ex.ª que vai transformar-se em nuvem
hoje às 9 horas. Traje de passeio».
E então, solenemente, com passos de reter tempo,
fatos escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos
todos assistir à despedida.
Apertos de mão quentes. Ternura de calafrio.
«Adeus! Adeus!»
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes… (primeiro, os olhos…
em seguida, os lábios… depois, os cabelos…) a carne,
em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo… tão leve… tão subtil… tão pólen…
como aquela nuvem além (vêem?) – nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis…

José Gomes Ferreira 
(via Cristina Padrão)

Devia morrer-se de outra maneira

Com as etiquetas

E trazer isto até ao Porto?

Com as etiquetas ,
%d bloggers like this: